Em SP, túnel na Imigrantes encurta, mas custo aumenta

Ligação pela Avenida Roberto Marinho deve custar R$ 2,9 bilhões

Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo,

09 de outubro de 2009 | 10h02

A Prefeitura de São Paulo já definiu o traçado final do túnel que vai ligar a Avenida Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes, na zona sul. Passando sob uma área de 1,3 milhão de m² entre os bairros de Jabaquara, Brooklin e Vila Mascote, atualmente ocupada por 13 favelas - onde vivem 30 mil pessoas -, a passagem terá 2,8 km de extensão e não mais os 4,2 km planejados anteriormente. O custo estimado para a conclusão do projeto é de R$ 2,9 bilhões - R$ 700 milhões a mais do que se esperava inicialmente.

O traçado do túnel mudou do lado esquerdo para o direito do Córrego Água Espraiada porque o solo da área é mais resistente e pode ainda baratear os custos, segundo o governo. A conclusão da obra deve ocorrer em 2013, na avaliação otimista dos técnicos. "Com a redução da extensão do túnel e a mudança do trajeto, acreditamos que vai ser possível diminuir valores", diz o secretário Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), Marcelo Cardinale Branco. Será a maior obra da atual gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM). O plano da Siurb é lançar o edital de licitação até o fim do ano e iniciar as obras ainda em março. Onze consórcios de empresas foram pré-qualificados. Pelo mesmo edital, a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) lançará concorrência para contratar uma empresa de gerenciamento social para remover as cerca de 8 mil famílias que vivem na região.

A prioridade dada à construção do novo túnel, entretanto, se contrapõe a outros projetos anunciados nos últimos dois anos - que acabaram contingenciados pela falta de recursos no Orçamento. O prolongamento do Túnel Jânio Quadros, que liga a Avenida Juscelino Kubitschek às Avenidas Lineu de Paulo Machado e Engenheiro Oscar Americano, passando sob o canal do Rio Pinheiros, foi "contingenciado". A construção do Bulevar Juscelino Kubitschek, cujo contrato está pronto desde 1986 e foi resgatado por Kassab no ano passado como forma de repaginar vias do Itaim-Bibi, na zona sul, também está fora dos planos. Essas duas obras criariam corredores alternativos à Avenida dos Bandeirantes.

Na zona norte, as obras de Kassab com o objetivo de ligar as Avenidas Cruzeiro do Sul e Engenheiro Caetano Álvares também estão paradas, apesar de o governo ainda defender o projeto. "Não dá para fazer tudo de uma vez, temos de escolher aquilo que terá melhor e mais rápido impacto positivo na vida da população", argumenta o titular da Siurb.

REMOÇÃO

Na ampla área sobre o futuro túnel da Roberto Marinho, ocupada por favelas, vai ser criado um parque com as dimensões do Ibirapuera. Projetado pelo arquiteto Paulo Bastos, será entrecortado por ruas destinadas ao trânsito dos bairros. Áreas verdes para aumentar a permeabilidade do solo, além de lagos feitos a partir do represamento do Córrego Águas Espraiadas, devem facilitar o escoamento da chuva na região, localizada em terrenos de fundo de vale.

Conjuntos habitacionais para cerca de 5 mil famílias também serão construídos no local. A remoção das famílias pode demorar até quatro anos, segundo a Sehab. Cerca de 10% do valor do projeto deve ser destinado à construção de moradias. Perto de 3 mil unidades serão feitas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) em terrenos na Avenida Ricardo Jafet, no Ipiranga.

Segundo Branco, o ritmo do projeto deve ser determinado pela disposição do mercado imobiliário em comprar os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Urbana Águas Espraiadas. Ainda existem 2,8 milhões de Cepacs para serem negociados, que poderiam render R$ 1,7 bilhão no setor privado. A Siurb espera que, com o fim da crise, o título se valorize e chegue a R$ 1 mil (cada título) - valor suficiente para as obras.

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