Em SP, tudo acaba em corrida

Além de moda entre esportistas, prática hoje serve para homenagens e apoio a causas nobres

EDISON VEIGA, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2012 | 03h05

Moda entre esportistas paulistanos, as corridas de rua se tornaram um filão explorado por marqueteiros e defensores de causas. Tudo virou motivo para alguns quilometrozinhos no pique na cidade. Apoio à paz no Oriente Médio? Corrida da Amizade. Despedida de goleiro ídolo? Palmeiras Run. Homenagem ao pai da aviação? Corrida Santos Dumont.

"Não à toa, hoje boa parte das corridas não tem um conceito competitivo. Serve para promover algo ou alguma marca. São tratadas como eventos", comenta Cristiano Barbosa, coordenador do Departamento de Corridas de Rua da Federação Paulista de Atletismo. "Um exemplo disso: no dia 9 de dezembro, haverá uma corrida dentro de uma fábrica de automóveis em São Bernardo do Campo."

Para quem gosta de correr, isso não é ruim. Afinal, sobram opções para essa prática. No Estado, chegam a ser registrados 18 eventos em um único fim de semana. Na capital, a média é de dois por semana - com picos de seis. "Neste ano, devemos ter um aumento de 10% no total em relação a 2011", acrescenta Barbosa. No ano passado, houve 120 corridas de rua na cidade - 298 no Estado.

"A Região Sudeste concentra 60% dos eventos do tipo, mas a corrida de rua é um fenômeno de crescimento nacional, com expressão nas grandes cidades", explica Charles Groisman, diretor de Marca e Conteúdo da Corpore Brasil, considerado o maior clube de corredores da América Latina.

Eles estão por trás da organização de muitas das provas que ocorrem na metrópole. Algumas, à primeira vista, um tanto pitorescas. Como a 5K Mulheres em Movimento, prova que traz a marca de uma rede de fast-food. Perder as calorias ganhas com tanto sanduíche? "Tem a ver com a estratégia de posicionamento da empresa no mercado que busca divulgar valores como qualidade de vida e incentivar atividades físicas", diz Groisman.

Futebol. Outro nicho que parece ter vindo para ficar é o de corridas atreladas a times de futebol. A sacada partiu da Geo, uma empresa de organização de eventos. "A ideia foi associar os dois esportes. A camisa do corredor, por exemplo, traz o brasão do time. Isso torna impossível que um torcedor fanático de um time corra na prova que leva o nome do rival", diz Leandro Valentim, diretor executivo de Esportes da Geo.

Em setembro, houve a Timão Run, homenageando o Corinthians. Foi um sucesso. "Com o apelo do time, acaba acontecendo algo interessante: muita gente que nunca disputou uma corrida participa pela primeira vez", diz Valentim.

A próxima será a Palmeiras Run, marcada para 4 de novembro e com um motivo a mais para o torcedor alviverde ir: será uma festa de despedida do goleiro Marcos, ídolo que pendurou chuteiras e luvas recentemente. "Ele mesmo não deve correr. Vai dar a largada, mas acho que não corre", afirma o diretor da Geo.

Ainda para 2012, estão previstas provas alusivas ao São Paulo e ao Santos. No ano que vem, a ideia é lançar eventos similares em outros Estados.

Um dos veteranos em corridas em São Paulo é o especialista em tecnologia da informação Alvaro Teno, de 65 anos. "Pratico o pedestrianismo há 34 anos", conta. "Quando a soma dos quilômetros percorridos por mim totalizou duas voltas completas na Terra, em 2004, parei de anotar no meu caderninho."

Só neste ano, Teno participou de nove provas. Nos fins de semana em que não está em uma, costuma treinar no Clube Paineiras do Morumby - do qual é associado há 25 anos - ou na Cidade Universitária.

O maior orgulho da advogada Maria de Fátima Neves de Souza, de 57 anos, é a parede cheia de medalhas em sua casa, no Tatuapé, zona leste. Foram mais de 400 corridas disputadas, entre as quais 20 maratonas. Ela ainda lembra a data de quando começou. "Não tinha 45 anos. Minha primeira corrida, de 5 km, foi em 27 de agosto de 2000."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.