Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Em SP, transporte coletivo recua e uso de carros e motos volta a subir em 5 anos

Pesquisa de Mobilidade do Metrô na Região Metropolitana mostra que, entre 2007 e 2012, das 29,7 milhões de viagens motorizadas, 45,7% eram individuais e 54,3%, coletivas; entre 2002 e 2007, taxas eram de 44,7% e 55,3%, respectivamente

Bruno Ribeiro e Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

10 Março 2014 | 21h34

Os carros e as motos voltaram a ter crescimento no total de viagens realizadas na Região Metropolitana de São Paulo, em detrimento do transporte público, entre 2007 e 2012. Embora o aumento seja pequeno, de apenas 1% em relação ao período de 2002 a 2007, ele mostra que as pessoas ainda têm trocado o ônibus por carro, apesar dos congestionamentos.

Os dados estão na Pesquisa de Mobilidade da Região Metropolitana do Metrô de 2012, cujos números foram divulgados nesta segunda-feira, 10. O total de viagens da região, incluindo a pé e de bicicleta, cresceu 15% entre 2007 e 2012, totalizando 43 milhões por dia. Nesse universo, o transporte coletivo cresceu 16%, de 13,9 milhões para 16,1 milhões de viagens por dia, enquanto o transporte individual cresceu 21%, de 11,2 milhões para 13,6 milhões de viagens por dia – um total de 29,7 milhões de viagens motorizadas.

Segundo a pesquisa, em 2007, 44,7% das viagens eram de modo individual. O porcentual passou para 45,7%. O inverso aconteceu com o transporte público. Em 2007, 55,3% das pessoas usavam transporte coletivo. Agora, são 54,3% da população da Região Metropolitana.

Segundo o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, o aumento de 8% na taxa de emprego no período e o aumento demográfico da região de 2% são os principais fatores responsáveis pelo aumento de viagens de forma geral.

Embora não tenha sido mensurado, o aumento da renda também contribui. "A política pública de incentivo à compra de carros, acrescido da grande taxa de pessoas empregadas, é o fator que explica a preferência pelo carro", disse Fernandes.

A frentista Hilma Alves, de 47 anos, comprou o primeiro carro há um ano e meio. "Antes, só andava de transporte público. Andava não, sofria", afirmou. Agora, ela divide o carro com o marido. "Não me importo de pegar ônibus, que até acho bom, mas o problema era que eu esperava às vezes uma hora até ele chegar. Não dá para esperar todo esse tempo", disse.

Desde que compraram o veículo, ela e o marido têm ido à praia no fim de semana, o que não faziam nunca, além de visitar os parentes. "Mudou a nossa vida." Nem os custos para manter o carro assustam a frentista: "É caro, mas não tem como ficar sem. Tudo parece mais fácil e rápido", afirma.

As entrevistas da pesquisa foram feitas entre novembro e dezembro de 2012 e entre março e abril de 2013, antes dos protestos de junho e antes da instalação das faixas exclusivas de ônibus da Prefeitura de São Paulo.

Histórico. O conceito de "viagem" é qualquer deslocamento feito por uma pessoa entre dois pontos específicos, usando para isso um ou mais modos de transporte. A primeira Pesquisa Origem-Destino, feita em 1967, apontou que 70% das pessoas usavam transporte público. Dali em diante, o porcentual só caiu. Em 2007, depois da adoção do bilhete único, que barateou o custo das passagens, o porcentual de viagens de carros começou a cair – até a divulgação dos resultados de ontem.

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