Em SP, seca de 7 semanas já ameaça o abastecimento de água no interior

Situação é mais crítica nas regiões de Campinas, Jundiaí e Piracicaba, que tiveram fornecimento ampliado pelo Sistema Cantareira

Ricardo Brandt - O Estado de S. Paulo,

04 Setembro 2012 | 22h30

CAMPINAS - Sem chuvas há 49 dias, o nível dos rios que abastecem as regiões de Campinas, Jundiaí e Piracicaba começou a baixar e ameaça o fornecimento de parte dos 5 milhões de habitantes dos municípios que integram a bacia hidrográfica do Piracicaba-Capivari-Jundiaí (PCJ). Outras cidades do Estado também sofrem com a secura - a baixa umidade relativa do ar tem elevado a ocorrência de queimadas.

Com o clima beirando os níveis de deserto (10% de umidade), o Sistema Cantareira, que retira água da Bacia do Piracicaba para armazenamento e abastecimento de grande parte da capital paulista, precisou ter o volume de água liberado de volta para o interior praticamente dobrado. Desde sexta-feira, os três reservatórios do sistema aumentaram a vazão liberada de 4 mil litros por segundo para 7,5 mil l/s.

Quem gerencia o sistema é a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que garante que não há riscos para a capital (mais informações nesta página). A decisão de rever o fluxo foi tomada pela Câmara de Monitoramento Hidrológico do Comitê do PCJ, e busca evitar que Campinas, Jaguariúna, Americana e Piracicaba sofram desabastecimento neste e no próximo mês.

"A água que liberamos nos reservatórios do Cantareira demora 15 dias até chegar a Piracicaba", explica o coordenador da Câmara de Monitoramento, responsável pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) em Campinas, Astor Dias de Andrade. "Hoje ainda não estamos vivendo uma situação crítica, com falta de água. Mas a liberação é necessária porque em um cenário de mais seca nos próximo dias é preciso se antecipar ao problema."

Nessa região, o problema já é sentido em São Pedro, que adotou racionamento para alguns moradores entre 13h e 17h. "Meus sobrinhos precisam ir para casa de parentes onde têm água e há dias que chegam a dormir sem tomar banho", explica a comerciante Renata Madazio Saia, de 33 anos.

Em Piracicaba, a queda no volume do rio é visível. Seu nível, que é de 2,10metros na medição da Rua do Porto, já baixou 65centímetros e é possível ver as pedras no fundo. Já Americana, abastecida pelo Rio Piracicaba, enfrenta problemas de captação. Por retirar água em um ponto não tão profundo do leito, a queda abrupta do nível colocou em alerta o Departamento de Água e Esgoto (DAE). O município solicitou o aumento de vazão do Sistema Cantareira. Em Campinas ainda não há risco imediato de desabastecimento, mas a vazão do Atibaia, principal fonte de abastecimento local, caiu de 20 mil l/s para 15 mil l/s.

Seca. A estiagem também afeta a saúde pública e representa risco maior de incêndios para a Defesa Civil. "Estamos em alerta em toda a região. Sem chover há 48 dias e com a umidade do ar em queda, há riscos para a saúde pública", afirma o coordenador regional de Campinas da Defesa Civil Estadual, Sidnei Furtado. "Além disso, começou a ventar e com esse clima seco qualquer fagulha pode virar um grande incêndio", explica Furtado.

A Defesa Civil de Campinas registrou até agora 42 focos de queimadas perto de reservas de mata. No mesmo período do ano passado, houve 24 queimadas. O aumento dos registros também ocorre em outras regiões do País que sofrem com a secura (como em Brasília, veja abaixo).

Em Ribeirão Preto, onde a queima da palha da cana só é liberada à noite no período de estiagem, até mesmo por motivos de saúde, foi necessário ampliar a restrição nesta semana, vetando qualquer incêndio. Além disso, o consumo cresceu 40% desde agosto e a cidade já teme problemas no abastecimento.

No domingo, um incêndio destruiu 800 mil metros quadrados (o equivalente a 80 mil campos de futebol) de uma plantação de eucalipto em Salto de Pirapora, na região de Sorocaba. O Corpo de Bombeiros, que mobilizou o helicóptero Águia, da Polícia Militar, levou mais de sete horas para conter o fogo. /COLABOROU RENE MOREIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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