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Em SP, Lanzmann se defende de má fama adquirida na Flip

Depois da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na semana passada, o escritor e cineasta Claude Lanzmann prosseguiu ontem participando de outro debate sobre o lançamento de seu livro A Lebre da Patagônia, da Companhia das Letras, no Centro de Cultura Judaica.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2011 | 00h00

O mediador deveria ter sido o mesmo da mesa na Flip, o estudioso da USP Márcio Seligmann Silva, com quem Lanzmann se desentendeu publicamente. Ele afirma que a substituição não foi feita a seu pedido. "Não tive nada a ver com ela", disse o escritor. Mas ele não poupa o acadêmico da USP de suas farpas.

"Ele deveria ter conversado comigo sobre o livro e não o fez. Estamos no Brasil e talvez tenha querido me impressionar com sua erudição. Fez todo tipo de afirmações, me tratando como um débil mental, e fugiu ao básico do que era esperado dele."

O caso foi adiante quando o curador da festa de Paraty, Manuel da Costa Pinto, saiu em defesa de Seligmann e acusou Lanzmann de fugir ao debate intelectual, o que seria, segundo ele, "atitude de um nazista". Lanzmann é ainda mais duro com Costa Pinto. "Não conheço esse senhor, mas o que sinto por ele é desprezo. Os nazistas eu combati e matei, como integrante da resistência."

A polêmica pode ter sido desencadeada pelo fato de Lanzmann, irritado com Seligmann, haver insinuado que ele não perguntava nada sobre o livro porque não o havia lido. O autor de Shoah - monumento cinematográfico que dá voz aos mortos do holocausto - não aceita para A Lebre da Patagônia as definições de livro de memórias ou autobiográfico, mesmo que os incidentes narrados sejam de sua vida. Como Shoah, que tem uma estrutura sutil, A Lebre é, acima de tudo, literatura. "Sou best-seller com o livro na França e, na Alemanha, ganhei o mais importante prêmio alemão. Não digo isso para me promover nem exibir, mas como registro da verdade."

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