Em SP há 22 anos, bóbi mora na rua desde 2006

Ele foi comerciante, mas virou sem-teto depois de uma briga com a ex; agora, quer lançar um CD

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2010 | 00h00

Há 22 anos, o cantor e artista plástico Bóbi Neto, de 40 anos, saiu do interior da Bahia com o sonho de ficar famoso em São Paulo. Nascido Nelson Silva de Jesus, seu sonho era montar uma discoteca ou um bar e "ver no que dava".

Trabalhou por cinco anos com construção e foi morar com a primeira das nove mulheres com quem viveu em São Paulo. "Brigamos feio uma noite. Deixei ela e a mãe dela lá e fui para a rua."

Nessa primeira vez, Bóbi dormiu ao relento por 30 dias. Perdeu o emprego, mas logo se reergueu trabalhando como flanelinha em um cinema no centro. Depois, foi motorista em uma empresa de entregas e as coisas começaram a deslanchar. "Me casei, tive dois filhos e, em 1998, fiz um curso de canto popular e descobri que tinha uma vocação para a arte." Começou a tocar numa banda e fazer cover de Raul Seixas. "E eu cantava tão bem que cheguei a ir 29 vezes no programa do Leão Lobo."

Bóbi começou a trabalhar com jardinagem, aprendeu a fazer cerâmica e abriu uma loja de artesanato em Mogi das Cruzes. Mas sua vida de empresário acabou logo. Primeiro, sua mulher fugiu de casa para morar com os filhos na Bahia, na casa de um primo de quem era apaixonada há anos. Depois, teve uma filha com outra mulher, que também o largou para voltar para a Bahia. E o golpe final veio quando uma briga com uma nova namorada acabou virando caso de polícia.

Isso foi em 2006. Desde então, Bóbi está na rua. Nos primeiros três anos, usou maconha, cocaína e, principalmente, crack. "Ficava o dia todo num quarto de hotel da cracolândia, e fazendo muita safadeza com as meninas que vendiam pedras." Hoje, ele conta que se recuperou sozinho.

A prova parece estar na retomada: ele vai lançar um disco de MPB com dois amigos e está terminando uma autobiografia.

Depois, Bóbi já sabe o que fazer. Primeiro, vai tentar sair da rua. E, depois, planeja uma viagem para o interior da Bahia, onde mora sua filha mais nova. "O que eu mais quero é mostrar para ela meu livro e meu CD para que ela veja que eu não estou aqui à toa."

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