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Em SP, contêiner vira loja, galeria...

Estruturas de metal ainda são ''eco-friendly'', baratas e ajudam a impressionar os clientes

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

Amontoados nos portos, não são nada mais que caixotes gigantes que transportam produtos pelos mares. Filmados do alto em reportagens sobre exportações, são os austeros representantes de uma economia pungente. Mas mentes criativas dão aos contêineres novas utilidades e surpreendente graça. A tendência agora é transformar esses enormes recipientes de metal em espaços gastronômicos, culturais e comerciais e São Paulo já tem alguns atracados em suas ruas.

O mais novo empreendimento desse tipo desembarca por aqui na Vila Olímpia, zona sul, hoje. A Container Ecology Store, franquia de lojas multimarcas em contêineres do Rio Grande do Sul, inaugura sua primeira unidade em São Paulo. A empresa foi criada há dois anos pelo empresário André Krai, que vem de uma família com 40 anos de experiência na área têxtil.

"Tinha necessidade de abrir lojas próprias de forma rápida e barata", explica Krai, ao lembrar que se inspirou quando viu, em uma concessionária em Cingapura, um carro exposto em uma caixa de metal.

"Fiz uma loja em contêiner inicialmente em Nova Petrópolis (RS) e depois montei a franquia. Em um ano, já são 40, principalmente no Sul." O plano de Krai, que já tem contêineres exportados para Alemanha e Estados Unidos, é ampliar a rede para 80 lojas até o fim do ano.

Apelos. As vantagens de um contêiner como cenário para um negócio são principalmente duas. Primeiro, quando se usa um reciclado, abandonado depois de anos de uso, há um grande apelo ecológico. No caso da Container Ecology Store, isso é levado ao extremo em outros materiais da loja, como nas araras de corrimão de ônibus, achados em ferros-velhos, ou no deque de casca de arroz.

O segundo atrativo é o preço. A média do aluguel de uma loja da franquia é de R$ 3 mil e custos com reformas e instalações são bem mais baixos do que os de projetos de alvenaria.

"Nosso projeto é jovem, arrojado, e a franquia é do tipo "chave na mão". Encontramos até o terreno para o franqueado", afirma Krai. A unidade de São Paulo traz marcas como Triton, Lacoste e Forum, entre outras.

Estética. Pelo menos outros dois points da cidade já adotaram a estética do contêiner como atrativo. O nBox, misto de galeria e restaurante do artista plástico Alê Jordão, no Jardim América, zona sul da capital, abriu as portas em setembro do ano passado. "Tivemos a ideia a partir do conceito do Lego, em que uma coisa se encaixa na outra. Já realizamos projetos em contêineres há alguns anos, mas o nBox é o maior deles", explica o artista, que se inspirou no transporte das próprias obras para o exterior, que chegavam intactas e já montadas dentro dos contêineres.

Além disso, ele também salienta o lado eco-friendly do projeto. "A ideia do sustentável está ligada a itinerância, isto é, loca-se um terreno, estrutura-se o projeto e, na retirada dos contêineres, o local volta a ser como antes." Jordão tem intenção de levar o nBox para outros Estados e para Buenos Aires, na Argentina.

O outro empreendimento que chama a atenção com seus megacaixotes de metal na porta é a Decameron, loja do designer Marcus Ferreira, no Jardim Paulistano, também na zona sul. O projeto é do arquiteto Marcio Kogan. "Pagamos R$ 20 mil em seis contêineres usados", conta. Ele lembra que viu alguns espaços assim no exterior, como em uma loja itinerante da Puma ou da Freitag, marca de bolsas, em Zurique, na Suíça.

Ferreira ficou satisfeito com o resultado. "Muita gente tem preconceito com o contêiner, por achar que é quente ou pouco confortável. Mas as pessoas entram na loja e ficam maravilhadas e curiosas sobre como o espaço foi construído", diz o designer, acrescentando que a tendência deve crescer. "É uma experiência de arquitetura."

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