Em SP, 30 assaltantes fazem arrastão em prédio de luxo

Bando rendeu porteiro e invadiu ao menos 12 apartamentos; vejas dicas para evitar assaltos em condomínios

Ricardo Valota, Central de Notícias

07 de agosto de 2009 | 07h50

Um grupo formado por cerca de 30 bandidos, segundo policiais militares, invadiu, por volta das 19h30 de quinta-feira, 6, o Edifício Stylus, prédio residencial de alto padrão localizado na altura da Rua Barnabé Coutinho, na Vila Albertina, zona norte da capital paulista. Pelo menos oito dos 12 apartamentos foram alvo dos criminosos, que renderam o porteiro. A quadrilha ficou quase 3 horas dentro do prédio. Na fuga, os assaltantes roubaram um Fiesta preto de um morador que chegava ao edifício, de um apartamento por andar.

 

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PMs da 1ª Companhia do 18º Batalhão cruzaram com o veículo no cruzamento entre as avenidas João Paulo e Itaberaba, ainda na mesma região. Um dos dois ocupantes foi detido; o outro trocou tiros com os policiais e conseguiu fugir. Ainda não se sabe se o suspeito, que passará por reconhecimento, teve participação no assalto ao prédio. Até as 3h45 o porteiro rendido pela quadrilha não havia prestado depoimento no 28º Distrito Policial, da Freguesia do Ó, onde o caso foi registrado. A polícia ainda não passou detalhes do assalto nem informou o que teria sido levado pela quadrilha. Os moradores negaram-se a falar com a imprensa.

 

As falhas

 

Um teste feito pela reportagem do Jornal da Tarde mostrou que vários condomínios, apesar de toda a segurança e de já terem sido alvos de arrastões, ainda apresentam falhas. Dos 10 locais testados, metade teve a segurança driblada pela reportagem, que conseguiu entrar nos edifícios ou ter contato com o porteiro. A simulação, que foi feita na quinta e na sexta-feira passadas, foi acompanhada pelo especialista em segurança Felipe Gonçalves. Foram usadas duas estratégias: estacionar um Ford EcoSport preto, com vidros escuros, na frente das garagens dos prédios e esperar o portão ser aberto; e a pé, com um buquê de flores, que seria entregue a uma moradora, cujo nome foi selecionado de um site de telefones.

 

Ao conseguir entrar num edifício em Higienópolis, a bordo de um Ford EcoSport preto com vidros filmados, Gonçalves alertou para o que faz os seguranças errarem. "Muitos desses porteiros têm medo do morador, que costuma brigar por causa dessa demora em abrir o portão", afirma. "E isso é que prejudica (a segurança do condomínio)." Em outro edifício, desta vez no Paraíso, bastou um sinal de positivo de dentro do carro e o porteiro abriu o portão da garagem.

 

Na região da Vila Sônia, no Morumbi, o porteiro agiu corretamente ao ser chamado para pegar pessoalmente um buquê de rosas. Ele permitiu que a reportagem deixasse as flores apenas na gaiola (um espaço entre dois portões), mas errou a aparecer perto da grade depois de um apelo de que as flores iriam amassar. Também em um prédio de Higienópolis, a repórter se identificou como representante de uma empresa de segurança. O vigia ficou próximo às grades para receber um cartão que seria dado pela reportagem. "Deixe aí na grade que eu pego", afirmou ele, mas em seguida se aproximou e veio conversar. No caso de um assalto, ele poderia ter sido rendido neste momento, alerta o especialista em segurança.

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