Em São Paulo, Carandiru vira Parque da Juventude

Casa de Detenção foi palco de incidentes sangrentos, como a morte de 111 presos em outubro de 1992

, O Estadao de S.Paulo

14 Março 2010 | 00h00

A antiga Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como Carandiru, na zona norte, teve sua maior parte implodida em 2002. No local há hoje o Parque da Juventude, com ampla biblioteca, atividades educacionais e práticas esportivas.

O histórico do complexo é recheado de mortes, rebeliões, fugas, degradação e violação de direitos humanos. O maior episódio foi o massacre do Carandiru, em outubro de 1992, quando a Polícia Militar invadiu o pavilhão 9 após uma briga de presos. Resultado: 111 detentos mortos.

O coronel da reserva Ubiratan Guimarães, assassinado em 2006, comandou a invasão. Em 2001, ele foi condenado a 632 anos de prisão, mas o julgamento foi anulado. Outros 116 PMs são acusados de matar os presos.

A prisão foi inaugurada na década de 1920 e servia como cadeia pública e como presídio político. Em 1938, passou a se chamar Instituto de Regeneração.

Vinte anos depois, começou a exceder a lotação máxima de 1.200 pessoas. Para resolver a superlotação, em 1956, foram construídos outros pavilhões, elevando a capacidade para 3.250 detentos. Os nove blocos eram caixotes que amontoavam prisioneiros. Antes da desativação, mais de 9 mil pessoas ocupavam as celas em todos os prédios.

Seus antigos presos foram retratados no livro Estação Carandiru, de Dráuzio Varella, e em outras dez obras. O presídio também serviu de cenário para diversos filmes.

Ilha de presos. Em Ilha Grande, litoral sul do Rio, os complexos penitenciários passaram a tomar a paisagem em 1894, quando foi instalada a Colônia Correcional de Dois Rios. Presos ilustres passaram pelo local, como o imperador d. Pedro II. Em 1941, foi instalado na ilha o Instituto Penal Cândido Mendes, destino de presos políticos durante o Estado Novo e a ditadura.

O complexo foi desativado em 1994, restando no local ruínas. Em 2009, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) inaugurou na ilha o Museu do Cárcere, que abriga exposições sobre instalações carcerárias.

Outro presídio conhecido por ter abrigado presos políticos durante o regime militar funcionou na Ilha das Pedras Brancas, em Porto Alegre, no Rio Guaíba. Entre 1956 e 1983, recebeu detentos conhecidos, como Carlos Araújo, ex-marido da ministra Dilma Rousseff, e o juiz João Carlos de Bona Garcia, perseguido por militares.

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