Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Em São Paulo, 5 mil médicos fecham a Paulista por 4h

Ato pacífico também reuniu alunos de Medicina; principal reivindicação é que estrangeiros tenham de fazer exame para revalidar diploma no País

Bruno Deiro, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2013 | 23h20

SÃO PAULO - Um protesto com cerca de 5 mil médicos, estudantes de Medicina e profissionais de Saúde interrompeu na quarta-feira,3, a Avenida Paulista, em São Paulo, por mais de quatro horas. Pelo menos 9 mil profissionais se mobilizaram pelo País, em atos realizados em sete capitais. As principais reivindicações eram a exigência da revalidação do diploma para médicos estrangeiros e melhorias no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em São Paulo, os manifestantes caminharam até a sede da Presidência da República, na Avenida Paulista, e foram recebidos por representantes do governo federal. Eles criticam o plano anunciado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que prevê mudanças nas regras para atuação no interior do Brasil de profissionais formados em outros países.

Padilha afirmou que três ideias estão sendo estudadas: a calibragem do exame de revalidação com notas obtidas por alunos brasileiros, acordos de intercâmbio com países específicos como Portugal e Espanha e chamada internacional - as duas últimas hipóteses passam pela dispensa da prova que hoje é obrigatória.

A marcha começou por volta das 16h, quando o grupo de manifestantes saiu da frente da sede da Associação Médica Brasileira (AMB), na Rua São Carlos do Pinhal. "Foi a maior demonstração de força da classe médica paulista em muito tempo", afirmou José Erivaldes Guimarães, diretor da Federação Nacional de Médicos. Cid Carvalhaes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), defendeu a manutenção da prova para a revalidação do diploma. "Diziam que o nosso protesto era corporativo e o que defendíamos era reserva de mercado. Mas hoje, com a adesão popular à causa da saúde, é possível comprovar que essa era uma visão equivocada", afirma.

O médico peruano Raul Micalay, que há dois anos fez o exame de revalidação para fazer residência em cirurgia cardíaca no Brasil, estava entre os apoiadores da manifestação. "No Peru, como no Brasil, existem muitas faculdades fracas. É preciso garantir que o médico que vem de fora tenha uma formação decente. Um médico que tenha uma boa formação e estude um pouco consegue passar na prova do jeito que ela está."

Os manifestantes foram acompanhados de dois seguranças, de terno e óculos escuros. Segundo dirigentes da Associação Paulista de Medicina, o objetivo era evitar que baderneiros entrassem no meio da marcha.

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