Em Santos, PMs dão 25 tiros e matam jovem

Carro com seis ocupantes foi baleado após desrespeitar ordem de parar. Condutor diz que não tinha carteira

ZULEIDE DE BARROS, ESPECIAL PARA O ESTADO , SANTOS, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2012 | 03h02

Uma perseguição policial a um veículo com seis pessoas, no início da madrugada de ontem, no Morro do São Bento, em Santos, terminou com a morte de um jovem de 19 anos. Outro rapaz, de 20, e uma adolescente de 15 ficaram feridos. O veículo foi alvejado por mais de 25 tiros. Segundo policiais militares, os jovens fugiram de uma abordagem. A família contesta e diz que ocorreu uma execução.

À Polícia Civil, os jovens disseram que não efetuaram nenhum disparo contra os PMs. O pai de Bruno Vicente Gouveia Viana, o jovem morto, estava indignado com a conduta dos policiais. Ontem, em entrevista à TV Tribuna, João Viana disse que não houve tiroteio. "Todo mundo no Morro sabe que não houve troca de tiros. Pararam o carro e houve, sim, a execução, porque todos os tiros foram de fora para dentro", disse.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 1.º Distrito Policial, PMs em patrulhamento na altura da Lagoa da Saudade, no Morro da Nova Cintra, avistaram o Gol com os jovens. Já passava da meia-noite. Os PMs disseram que, ao avistar a viatura, o motorista do Gol engatou a marcha à ré em alta velocidade. Na perseguição, o Gol teria passado em sinais vermelhos.

Os PMs pediram apoio de outra viatura. Em uma nova abordagem, já no Morro do São Bento, teria sido desrespeitada outra ordem de parada e o carro foi alvejado por dois disparos. Como o veículo seguiu em disparada, os policiais atiraram novamente.

Os jovens atingidos estavam no banco traseiro. O motorista do Gol, José Luiz Lima, de 28 anos, disse que não parou porque não tem carteira de habilitação e o veículo era emprestado de um amigo de Praia Grande. Os PMs disseram ter achado um revólver calibre 22 e uma arma de brinquedo no veículo.

Um dos jovens desmentiu a informação de que havia armas no carro. O rapaz, que não quis se identificar, concedeu entrevista à TV Tribuna e afirmou que a revista ao veículo foi feita à revelia, sem a presença de nenhum dos ocupantes. As armas que teriam sido encontradas pelos policiais foram entregues para perícia

No boletim de ocorrência,PMs também atribuíram aos jovens crimes de desobediência, resistência, direção sem habilitação, direção perigosa, localização e devolução de veículo, além de porte ilegal de arma.

Prisão. Os dois soldados que ocupavam a viatura, responsáveis pela primeira abordagem, foram detidos e estão no Presídio Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. No quartel do 6.º Batalhão da Polícia Militar, em Santos, nenhum comandante quis comentar a ação.

Os policiais envolvidos podem ser acusados por homicídio doloso (com intenção de matar). Dois advogados foram contratados pelos policiais para defendê-los.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.