Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Em Salesópolis, na nascente, água é potável e morador, engajado

Visitantes de parque, geralmente da capital, custam a acreditar que é o mesmo rio que conhecem

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2013 | 02h13

De uma pedra cheia de musgo, no alto da Serra do Mar, em Salesópolis (97 km de São Paulo), nasce o rio mais importante do Estado. As águas límpidas jorram em um poça de no máximo um palmo de profundidade, lotada de peixinhos.

"São guarus (espécie que atinge cinco centímetros). Eles são a prova da boa qualidade da água", diz João dos Passos, de 62 anos, uma espécie de "faz-tudo" do Parque Nascentes do Tietê. A área, de 134 hectares, fica a 1.027 metros de altitude. Dali, saem os 4.178 litros de água por hora que vão se avolumar e percorrer 1.136 quilômetros até a foz, no Rio Paraná.

Os visitantes do parque geralmente são alunos de escolas da capital que custam a acreditar que estão diante do mesmo rio que conhecem. Ninguém, incluindo a equipe de reportagem, resiste aos bebedouros do Tietê, com água geladinha e transparente.

Na cidade vizinha, Biritiba Mirim, onde o rio ganha volume, a população desfruta mais do Tietê. Duas vezes por semana, o aposentado Natalino Machado, de 54 anos, pega o barco e sai rio afora. "Aqui, a gente pega traíra, lambari, bagre. Já peguei peixe de até 2 quilos", diz.

"Vizinho" do Tietê, o comerciante Valdemar José Cardoso, de 51 anos, cresceu brincando ali. Agora, está entre os moradores que ajudam a livrar a água dos aguapés que prejudicam a pesca e a navegação. "Temos uma ligação muito forte com o rio. Então, percorremos de barco retirando essas plantas", diz.

Imigrantes japoneses, os pais de Paulo Shintate, de 46 anos, chegaram às margens do rio, em Biritiba Mirim, quando ele tinha apenas 6 anos. Desde então, é com a água do Tietê que a família irriga a plantação. "Usamos uma bomba que tira água limpa lá do rio. Se não fosse ele, teríamos de ter um tanque e outros gastos", conta. Dos cinco alqueires administrados por Shintate, são colhidos cerca de dez mil pés de plantas por semana.

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