Em ruínas, galpões da Mooca são tombados

Imóveis pertenceram às Indústrias Reunidas Matarazzo, que marcaram história da cidade

RODRIGO BRANCATELLI, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2012 | 03h05

Parte de um dos maiores complexos industriais que já existiram na América Latina, os galpões das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo no bairro da Mooca, na zona leste de São Paulo, foram tombadas ontem pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). A boa notícia para a memória paulistana, no entanto, esbarra em anos de decadência e abandono do antigo complexo, que hoje está reduzido apenas a algumas paredes e fachadas degradadas.

O processo de tombamento dos galpões localizados na Rua Borges de Figueiredo, entre os números 680 e 828, corre no Conpresp desde 2007.

Na reunião de ontem, o órgão de patrimônio avaliou ser necessário conservar o que restou das Indústrias Matarazzo por considerar a "importância histórica da implantação da antiga linha ferroviária da São Paulo Railway, bem como das instalações industriais e armazéns de matérias primas e mercadorias no processo de industrialização da cidade".

Deverão ser preservados agora os elementos remanescentes da arquitetura industrial do local - que abrigou ainda a Société Établissements Duchen e a Companhia Fiat Lux -, além de uma chaminé datada de 1911.

O problema é que, apesar do tombamento, pouco restou das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo. Paredes e coberturas caíram com as chuvas, o tempo e o descaso - segundo moradores da região, algumas construtoras também tentaram a provocar a queda de algumas paredes dos imóveis abandonados da região, para forçar o Conpresp a não tombar os endereços históricos da Mooca, hoje uma das áreas mais disputadas pelo mercado imobiliário.

O terreno dos galpões, por exemplo, já pertence a uma construtora, que tem protocolado na Secretaria Municipal de Habitação um projeto de construção de dois prédios de 7 andares e 25 metros de altura, com subsolo para 133 vagas de estacionamento. Para aprovar o projeto, a construtora terá de incorporar de alguma forma as paredes e fachadas das Indústrias Matarazzo no empreendimento.

Bovespa. O Conpresp também aprovou ontem projeto de restauro do prédio da Bovespa, na Rua 15 de Novembro, e instalação de sinalização do Circuito Ciclístico Turístico Cultural, no centro de São Paulo.

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