Em reunião reservada, Alckmin ouve Cremesp

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu anteontem no Palácio dos Bandeirantes dirigentes do Conselho Regional de Medicina (Cremesp), entidade que encabeça as críticas ao programa Mais Médicos do governo federal.

, BASTIDOR: Bruno Ribeiro, Pedro Venceslau e Ricardo Chapola, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h10

A reunião reservada ocorreu à noite, sem constar da agenda oficial de Alckmin, e teve a presença de técnicos da área da saúde paulista e até do vice-presidente nacional do PSDB, Alberto Goldman. O objetivo de Alckmin, que disputará a reeleição no ano que vem, é procurar novas ações de governo para fazer frente ao projeto encabeçado pelo ministro da Saúde, o petista Alexandre Padilha, que será seu adversário nas urnas.

A pauta da saúde vem sendo reforçada na agenda do governo desde que ficou claro que Padilha seria o adversário de Alckmin em São Paulo. No dia 15, o governador anunciou que o infectologista David Uip seria o novo secretário da Saúde. Crítico do Mais Médicos, ele é considerado mais combativo que o antecessor, Giovanni Guido Cerri. "Vemos um embate político. Eu não sou político, sou técnico", disse Cerri, na ocasião.

A avaliação dos tucanos é de que o governo federal está sendo bem-sucedido na estratégia de pôr uma embalagem midiática no Mais Médicos. Se o debate sobre a importação de profissionais pautar a campanha, como vem pautando o noticiário, Padilha não seria pressionado pelos resultados de sua pasta, que, segundo o PSDB, são ruins.

Alckmin tem reforçado as críticas ao que considera os pontos fracos da gestão da saúde. "O problema é o financiamento. A tabela do SUS não é corrigida há quase uma década. Para uma consulta, (se paga) R$ 10. Se o médico atender dez pacientes por dia, ganha R$ 100. Falta médico é no SUS", disse.

Participaram da reunião os médicos Reinaldo Azevedo Jr., presidente do Conselho Regional de Medicina, Nacime Mansur, conselheiro da entidade, e José da Silva Guedes, ex-professor da Santa Casa, além de Goldman. "Discutimos efeitos do Mais Médicos. Os técnicos do governo sabem que os resultados do programa são pífios. E o governador sabe que isso é mais projeto eleitoral do que outra coisa", disse Goldman.

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