Em quatro anos, haverá mais homens que mulheres em idade fértil no Brasil

Retratos do País. Em 2060, o excedente masculino chegará a 1,2 milhão de homens nessa faixa etária. Na população total, porém, continuará havendo mais mulheres que homens por muitas décadas. Isso ocorre porque elas ainda vivem mais

José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2013 | 02h02

O Brasil se torna a cada ano mais masculino. As projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que há mais homens do que mulheres em todas as faixas etárias abaixo de 31 anos. Entre os brasileiros com 15 anos de idade, por exemplo, há 61 mil pessoas a mais do sexo masculino que do feminino. E a tendência é de que o fenômeno se intensifique no futuro.

Em 2017, já deverá haver no País mais homens que mulheres entre 15 e 49 anos - a chamada idade fértil. Em 2060, o excedente masculino chegará a 1,2 milhão de homens nessa faixa etária. As estatísticas foram compiladas pelo Estadão Dados, com base em tabelas de projeções populacionais do IBGE divulgadas na semana passada.

Essas projeções mostram que a marca dos 200 milhões de brasileiros foi alcançada em 2 de dezembro do ano passado, conforme estimam técnicos do instituto. De lá para cá, mais um milhão de pessoas já foram incorporadas à população.

Longevidade. Na população total, continuará havendo mais mulheres que homens ainda por muitas décadas. A razão é simples: elas vivem mais. A expectativa de vida para a população masculina é de 70,6 anos, ante 77,7 para as mulheres.

Nas idades mais jovens, os homens começaram a ultrapassar as mulheres na virada do século e o processo deverá continuar. Na faixa dos 40 anos, por exemplo, há hoje 28,4 mil mulheres a mais. Em 2060, estarão sobrando 27,2 mil homens nessa idade.

Há duas explicações principais para o fenômeno. Primeiramente, nascem cerca de 5% a mais de homens do que de mulheres no mundo. Essa proporção já foi observada em vários países. As estatísticas do Registro Civil, por exemplo, mostram que em 2011 foram registrados 104,9 meninos para cada 100 meninas.

Além disso, como a mortalidade de homens jovens é bem maior que a de mulheres - principalmente por homicídios e acidentes de trânsito -, o excedente masculino acabava perecendo até inverter e sobrarem mais mulheres.

Mortalidade. A diminuição da mortalidade no Brasil nos últimos anos, principalmente a masculina, passou a anular esse efeito. "Estamos vendo isso acontecer no Brasil pela primeira vez, nesta geração", explica o pesquisador do IBGE Gabriel Borges. Segundo ele, a sobra de homens na faixa dos 15 aos 49 anos é algo já observado em países com taxa de mortalidade mais baixa. "Se no Brasil observarmos uma redução ainda maior nas taxas de homicídios, que permanecem altas, o excedente masculino nessa faixa etária poderá aumentar ainda mais", afirmou.

Mais velhas. Em 2059, a previsão é de que haverá excedente masculino em todas as idades menores que 50 anos. Como as mulheres ainda são mais longevas, a tendência é de que elas continuem superando os homens nas faixas etárias mais velhas, o que explica um excedente feminino previsto em 6 milhões para aquele ano.

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