Em primeiro grande ato de 2014, MPL convida secretário de Haddad para discutir cortes em linhas

Movimento se reunirá na semana que vem diante da sede da Prefeitura para protestar contra fim de itinerários de ônibus

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

11 Fevereiro 2014 | 10h53

SÃO PAULO - O Movimento Passe Livre (MPL), responsável pelo estopim das grandes manifestações de junho de 2013, convidou o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, para um debate público em frente à sede da Prefeitura de São Paulo, no centro, no fim da tarde da quinta-feira da semana que vem, dia 20. Em pauta, os sucessivos cortes, executados pela São Paulo Transporte (SPTrans), de linhas de ônibus que conectavam regiões periféricas da cidade à área central. Quase 300 pessoas já haviam confirmado presença nesta terça-feira, 11.

A convocação do ato está sendo feita por meio da página do movimento no Facebook. Em um texto publicado na rede social, o MPL diz que "em toda a cidade, a SPTrans vem efetuando uma série de cortes de linhas de ônibus", que, "longe de serem casos isolados, os cortes fazem parte de uma política de 'racionalização' do sistema que só serve para encher o bolso dos empresários, às custas do sofrimento da população com ônibus mais lotados e maior tempo de viagem".

Os cortes nos itinerários ganharam força em setembro e outubro do ano passado, quando mais de 80 ramais deixaram de existir. A empresa municipal sempre alegou que a "racionalização" da rede é um meio de reduzir a sobreposição de linhas e melhorar o desempenho operacional do sistema. Houve cortes principalmente nas zonas leste e sul da capital paulista.

Em entrevistas, Tatto declarou que o MPL está "enganado" em criticar as alterações nas linhas de ônibus, já que elas trariam mais eficiência para o sistema e os próprios passageiros. O dirigente também já disse que aceitaria debater o tema com o movimento a qualquer momento.

Em outubro, a SPTrans admitiu que a gestão Fernando Haddad (PT) avaliava cortar uma em cada quatro linhas de ônibus na capital paulista até o fim de 2016. Dos 1.305 itinerários existentes naquele mês, a previsão era a de que o número baixasse para cerca de 900 até o fim do atual mandato.

Aula pública. O evento da semana que vem é o primeiro grande ato convocado pelo MPL em 2014. A concentração está marcada para as 18h da quinta-feira, 20. O MPL já realizou outros atos em frente à sede da Prefeitura. Em junho do ano passado, na esteira dos protestos que derrubaram o preço da tarifa em 20 centavos, o movimento levou ao local Lúcio Gregori, filósofo, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretário de Transportes da gestão da prefeita Luíza Erundina, para uma aula pública sobre a viabilidade da tarifa zero na capital paulista.

Até o fechamento desta matéria, a assessoria do secretário Jilmar Tatto não havia respondido se ele comparecerá ao evento do MPL. O gabinete de Tatto fica bem perto da sede da Prefeitura, no prédio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça Ramos de Azevedo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.