Em poucas horas, preço nas bombas dispara

Diferença chega a R$ 0,40, mas motorista faz fila e se preocupa em encher o tanque

O Estado de S.Paulo

07 Março 2012 | 03h03

A corrida por combustível fez os preços dispararem nos postos da capital paulista. Se no começo da manhã de ontem ainda era possível encontrar gasolina comum a R$ 2,57 em algumas regiões, em Pinheiros, na zona oeste, o preço por litro do combustível chegava a R$ 2,99 no fim da tarde. Na zona norte, um posto chegou a aumentar o preço em R$ 0,20 em questão de horas. De R$ 1,79, o etanol foi para R$ 1,99.

A Fundação Procon de São Paulo afirma que a prática é "abusiva" e vai fiscalizar, a partir de hoje, as denúncias de aumento repentino de preço. "É um absurdo, uma falta de respeito ao consumidor", afirma o diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes. Se constatada a irregularidade, os postos podem ser multados de R$ 400 a R$ 6 milhões. Segundo os especialistas, o aumento de preço infringe o artigo 39 do Código de Defesa do Consumidor.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Alberto Paiva Gouveia, que representa os postos de gasolina, "não são todos" que estão aumentando os preços. "Os que fazem isso são oportunistas e têm de ser denunciados", afirma Gouveia.

Tanque cheio. O motorista sentiu no bolso o aumento. No Tatuapé, zona leste, a aposentada Delza dos Santos, de 62 anos, disse ter ficado "rendida" na hora de abastecer: pagou R$ 1,90 pelo litro de etanol. No posto onde abastece todos os dias, a poucos quilômetros dali, o mesmo combustível custava R$ 1,60 antes de acabar. "Não tenho escolha. É o carro da minha filha, ela é médica e precisa trabalhar."

"Fui em quatro postos, minha mulher em dois. Esse é o primeiro que encontramos com opção de etanol ou gasolina", disse o comerciante Manoel Pini, de 43 anos, em um posto na Marginal do Tietê, na manhã de ontem. Pini, como a maioria dos entrevistados pelo Estado, optou por encher o tanque "para garantir" - a qualquer preço.

O taxista Nei Moura, que trabalha em um ponto entre as Ruas Cardeal Arcoverde e Fradique Coutinho, na zona oeste, afirmou que não pode "ficar um dia" sem colocar combustível em um posto. "Tenho cliente com hora marcada. Hoje passei em vários postos da Vila Madalena e nada. No fim, encontrei um caríssimo em Pinheiros e ainda fiquei uma hora na fila."

Atrás de uma fila de pelo menos mais oito carros em um posto da Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste da cidade, o representante comercial Valter Pigozzi reclamava de perder "tempo e dinheiro" estando ali. "Mas não adianta sair da fila porque não vou conseguir combustível em outro lugar. Vou esperar e encher logo o tanque", disse. /NATALY COSTA

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