Em Pirituba, só restou a frustração dos moradores

Foram meses sonhando com as melhorias que o bairro receberia com o[br]estádio planejado, e descartado, para a Copa

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2010 | 00h00

Em menos de três meses, a avaliação do sobrado do eletricista Marcos Caron Ribeiro, de 52 anos, saltou de R$ 200 mil para R$ 300 mil. Ele mora ao lado do terreno em Pirituba, na zona norte, onde a Prefeitura chegou a planejar a construção de um estádio para a Copa do Mundo de 2014. "Durou pouco a euforia", lamenta Ribeiro.

O eletricista, corintiano fanático, diz ter duplo motivo de decepção. "Perdi de ter a casa do meu time do lado de casa e todas as obras que poderiam vir para a região. Duvido que o metrô chegue até aqui agora, como andaram falando antes", afirma Ribeiro. Ele conta que a parte mais difícil foi explicar para seus dois filhos, de 12 e 9 anos, que a abertura da Copa do Mundo não vai mais ser no terreno ao lado.

No comércio de Pirituba, a frustração também é grande. Gerson Mendes, de 56 anos, dono de farmácia na Avenida Mutinga, fez uma declaração eufórica, em junho, ao Estado. "Nossa quebrada vai ganhar fama internacional e metrô", afirmou, quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) dizia que o estádio ali era a única opção.

Na sexta-feira, procurado pela reportagem novamente, Mendes estava indignado. "De que serviu esse boato todo no bairro? Só para os corretores venderem mais apartamentos de 50 m² na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães", avalia o farmacêutico. "O azar vai ser dos organizadores. Itaquera está no fim da zona leste e nós estamos do lado do centro", desdenha.

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