Rafael Pezzo / Estadão
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Moradores de rua se queixam de retirada de pertences em ação de 'zeladoria' da Prefeitura de SP

prefeito regional informou que a retirada em massa dos itens foi realizada após um homem que vivia no local ter ateado fogo em vários objetos

Rafael Pezzo, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2017 | 11h04

A Prefeitura Regional da Sé realizou, na manhã de sábado, 30, uma operação de "zeladoria e limpeza" embaixo do viaduto Julio de Mesquita Filho, próximo à Rua Major Diogo, na Bela Vista. A ação, no entanto, acabou afetando moradores do local, que tiveram barracos e itens pessoais levados pelos caminhões da prefeitura. 

Segundo o prefeito regional Eduardo Odloak, o objetivo da ação era "a retirada de excessos de papelão e madeira embaixo do viaduto, o que colocava em risco a estrutura da via".  

No entanto, moradores da região reclamaram da truculência dos agentes, que retiraram, com escavadeira e caminhões caçamba, seus barracos e itens pessoais. 

Charles dos Santos, marceneiro de 52 anos, e morador do local há cerca de um ano, afirmou que boa parte do seu material de trabalho foi levado. "Chegaram com caminhões e levaram tudo. Como vou trabalhar agora?". Ao lado da esposa, Jessica Cardoso Siqueira, de 24, ele tentava garantir a permanência de alguns outros objetos. 

O prefeito regional informou que a retirada em massa dos itens embaixo do viaduto só foi realizada após um homem que vivia no local ter ateado fogo em vários objetos logo após a chegada dos caminhões da Prefeitura. O suspeito foi encaminhado ao 4º DP, na Consolação.

 Odloak também declarou que as famílias afetadas têm uma tenda de assistência social à disposição para orientação e encaminhamento a abrigos. Por outro lado, outros moradores disseram que, até as 11h, ninguém os informou sobre os próximos passos. 

"Ninguém veio falar com eles até agora. Vão retirá-los daqui e os mandarão para onde? Não há qualquer orientação", disse Monalisa Madalena, de 29 anos e que mora no bairro há dois anos. 

Solicitação. Lucinete Aparecida Groto, de 46 anos, é moradora e dona de uma transportadora na Rua Conselheiro Ramalho, agradeceu pessoalmente o subprefeito pela ação. "Eu ligava para a prefeitura pedindo a limpeza daqui. Estava muito sujo, cheio de lixo", contou. 

Segundo ela, o número de assaltos na região aumentou desde que os barracos começaram a surgir embaixo do viaduto. "Deve ter muitas pessoas honestas ali, mas é dificil saber, não?"

Charles, por outro lado, também reclamou da violência na região. "Eu coloquei meu primeiro barraco na rua debaixo, perto da quadra. Mas uns traficantes ali me tiraram de lá." 

 Para Lucinete, "não deveriam nem deixar armar o primeiro barraco aqui". "Esse espaço muito amplo e bonito, poderiam fazer até uma feira, algo parecido por aqui", concluiu. 

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