Em Nova Friburgo, parte das doações ainda não foi usada

R$ 2,4 milhões enviados há um ano às vítimas da tragédia na região serrana do Rio continuam parados no banco

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2012 | 03h05

Doações voluntárias depositadas em agências bancárias de todo o País para vítimas da tragédia em Nova Friburgo, na região serrana do Rio, estão paradas no cofre da prefeitura um ano após o temporal que matou 428 pessoas na cidade.

São R$ 2,4 milhões que poderiam ter sido usados, por exemplo, para construir casas populares. Nenhuma foi construída até agora, apesar das promessas. Do total de R$ 3,7 milhões em doações, apenas R$ 1,3 milhão foi usado para comprar quatro picapes e um terreno, ainda não usado pela prefeitura.

"A gente agora precisa usar esses recursos de uma forma muito mais positiva, por isso estamos fazendo um planejamento", disse o prefeito Sérgio Xavier (PMDB), que está há 50 dias no cargo - ele era presidente da Câmara Municipal e assumiu após o afastamento do então prefeito Demerval Barbosa (PT do B) pela Justiça, em novembro, sob suspeita de irregularidades no uso de verbas repassadas pelo governo federal.

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) foi ontem à cidade para participar da entrega de 88 viaturas à Defesa Civil e à Guarda Municipal. Ele tentou minimizar a demora de um ano para dar início à prometida construção de 2,2 mil casas para moradores afetados pela chuva.

Cabral disse que não foi fácil encontrar locais apropriados, por isso houve atraso na construção das casas. "É uma região com muita escassez de áreas disponíveis", declarou. Segundo ele, um contrato de R$ 330 milhões será assinado no dia 11 para dar início à construção de 2,2 mil moradias em Nova Friburgo para pessoas que recebem o chamado aluguel social (R$ 500).

Moradora de Córrego Dantas, uma das regiões mais afetadas em 2011, Marilene Barbosa, de 57 anos, disse que até hoje não recebe o aluguel social. Ela contou que teve a casa interditada na época da tragédia e continua vivendo no mesmo local, à beira do córrego. "Ou pago aluguel em outro lugar ou compro comida."

Balanço. Três pessoas já morreram em função das chuvas no Estado do Rio. A pior situação ocorre em Laje do Muriaé, município com menos de 8 mil habitantes, onde duas pessoas morreram, 2 mil estão desalojadas e 200, desabrigadas, segundo balanço da Defesa Civil. Em todo o Estado, existem 3.108 desalojados e 707 desabrigados; 84 imóveis foram destruídos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.