Em nota, família diz que pai de Isabella vai se entregar à polícia

Advogados de defesa de pai e madastra da garota morta negociam a apresentação deles à polícia

da Redação, estadao.com.br

03 de abril de 2008 | 13h52

mulher que se apresentou como irmã de Alexandre Nardoni - pai da menina Isabella de Oliveira Nardoni, jogada do sexto andar de um prédio em São Paulo - entregou um bilhete a repórteres que se encontravam na porta da casa do avô da menina, no Tucuruvi, na zona norte de São Paulo, pedindo paciência à população.     VEJA TAMBÉMO que se sabe até agora sobre o caso"Só quero que seja feita justiça", diz mãe de Isabella Veja a íntegra do bilhete entregue na casa da família "Sou a irmã de Alexandre. Gostaria de pedir à população calma. Tenho certeza de que não foi o Alexandre quem cometeu esse ato monstruoso. Esperamos que essa pessoa seja encontrada. Amamos a Isabella e é por ela e pelo Alexandre que pedimos paciência. Ele foi o último a estar com a menina mas não foi ele quem fez. Um pai amoroso, uma família unida. Amamos a Isabella. Esse criminoso será encontrado. Pedimos à população compreensão. Dêem um voto de confiança. Vocês também são uma família e tenho certeza de que uns confiam nos outros. Esse é o nosso apelo a todos. Não façam mal a um inocente. Família Nardoni." Advogado de defesa Os advogados de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, chegaram no início da tarde desta quinta-feira, 3, ao 9º Distrito Policial com o intuito de negociar a rendição do casal, após a decretação da prisão temporária do casal (aceita pela Justiça na noite de quarta-feira). Isabella morreu no domingo, após cair do 6º andar de um prédio na zona norte de São Paulo. A expectativa é de que o casal deve se apresentar às autoridades ainda nesta quinta-feira, 3 (veja o que se sabe até agora) .  O advogado Ricardo Martins de José Filho explicou que ainda não havia combinado com eles o horário em que vão se apresentar às autoridades, o que deverá ser acertado nas próximas horas. A prisão temporária foi decretada para que o casal não prejudique as investigações, que prosseguem tanto na área da polícia científica quanto na busca de novas pistas no prédio, onde ocorreu a morte da menina. Na manhã de quarta, a mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, prestou depoimento de 2h15 no 9º Distrito Policial, no Carandiru. Após o depoimento da mãe e dos avós maternos de Isabella, o juiz Mauricio Fossen, do 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo, decretou o pedido de prisão preventiva do casal. O juiz decretou também sigilo absoluto do caso. Depoimentos Durante toda a tarde de quarta-feira, o delegado Calixto Calil Filho esteve reunido com o promotor Sérgio de Assis. O delegado levou ao promotor cópias de depoimentos, como a do morador do 1º andar do edifício onde morreu Isabella, que disse ter ouvido gritos, pouco antes da queda. Segundo ele, os gritos eram: "Pára, pai! Pára, pai!"Também foram levadas cópias dos depoimentos de moradores do Edifício Vila Real, na Vila Mazzei, onde Alexandre morou por dois anos e meio. Ela disse que as brigas de ambos preocupavam o condomínio. O delegado ainda trouxe o depoimento de um funcionário e de dois moradores do Edifício Santa Leocádia, que fica na frente do local da morte.O morador do 4º andar desse prédio afirmou que ouviu o casal discutindo dez minutos antes da tragédia. "Da janela do meu quarto, pude ouvir com minha esposa (...) uma discussão, uma briga no prédio ao lado. Após 15 minutos, a discussão cessou. Às 23h23, ouvi uma mulher gritando: "jogaram a Isabella do 6º andar". Em seguida, ouvi xingamentos. A voz da mulher era igual à da mulher que brigava (anteriormente)."A mãe da menina, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 23 anos, falou pela primeira vez à polícia. "Não tenho nada a declarar, que a Justiça seja feita agora", disse, na saída. De acordo com a polícia, a mãe da criança afirmou que a relação dela com o casal suspeito era, às vezes, áspera. Segundo a bancária, nos fins de semana em que Isabella ficava na casa de Alexandre, a madrasta não a deixava falar com a mãe. Também prestaram depoimento os avós maternos da garota, José Arcanjo e Rosa Maria de Oliveira. Um dos advogados da defesa trouxe ainda uma testemunha que era considerada chave pela defesa. A mulher, que não teve a identidade revelada, entrou escondida debaixo do paletó do advogado.Aos investigadores, ela teria dito que a madrasta perdeu as chaves do apartamento após deixá-las na portaria do prédio. A versão, no entanto, foi contestada, em depoimento, pelo porteiro Valdomiro da Silva Veloso, de 28 anos. Segundo ele, ficavam na guarita apenas as chaves dos apartamentos que estão passando por obras. A delegada titular da 4ª Delegacia Seccional Norte, Elisabete Sato, disse que há conflitos entre os depoimentos já colhidos pela polícia. E, por isso, é necessário ter calma. "Além dos depoimentos, vamos contar com a coleta das provas materiais." Investigadores do 39º DP (Vila Gustavo) acharam nos arquivos um boletim de ocorrência, de 2003, em que Anna Carolina acusa Alexandre de tentativa de agressão. (Com informações de Carina Flosi, do Jornal da Tarde)  

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