Em mobilidade, só 32% do plano concluído

Esporte e lixo também foram áreas com baixo índice de cumprimento de metas; já assistência social foi bom exemplo

O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h05

Esporte, mobilidade e lixo e poluição são as três áreas da administração que menos tiveram metas concluídas. O recorte foi feito pelo Estado com base no plano de metas da gestão Gilberto Kassab (PSD). Outras áreas que tiveram menos de 50% de cumprimento das propostas foram educação, urbanismo, segurança urbana e drenagem. Na contramão, assistência social alcançou 92% de realização.

Na área de mobilidade, ficou incompleto o programa que previa construir 66 km de corredores de ônibus, fazer 15 intervenções em pontos de congestionamento e executar grandes obras viárias, como o prolongamento da Avenida Jornalista Roberto Marinho a partir de túnel até a Rodovia dos Imigrantes - a obra foi contratada, mas não começou. Além disso, do R$ 1 bilhão prometidos para o Metrô, só R$ 700 milhões foram repassados, segundo site da Prefeitura.

Para Kassab, metas não cumpridas não significam falhas na administração da cidade. Segundo ele, é impossível cumprir algumas delas em quatro anos, como a construção dos corredores de ônibus e a revitalização da região conhecida como cracolândia, no centro. "Avançamos até onde podíamos", disse.

Entre as promessas que ficaram pendentes estão algumas das anunciadas com maior prioridade durante sua campanha, como a construção de três hospitais e o fim da fila por vagas na rede municipal de creches.

A meta de construir 50 parques também não foi 100% entregue - 38 foram inaugurados até agora. Obras de drenagem importantes para a cidade, como na região da Bacia do Anhangabaú, ainda estão pendentes, assim como a lista de 61 novos ecopontos prometidos. Desses, 24 estavam marcados como cumpridos pela gestão.

No quesito qualidade de vida, a meta de se diminuir em 30% as emissões de gases de efeito estufa em relação a 2003 também não foi atingida, assim como a de entregar 200 clubes-escola, quatro centros olímpicos regionais e uma vila olímpica para o treinamento de novos atletas. Faltou ainda terminar a construção de galpões para escolas de samba e desenvolver estudos urbanísticos para levar mais empregos para a zona leste.

Balanço. Apesar do balanço, Kassab fala em uma gestão de resultados. "Deixamos um legado de obras para a cidade. O tempo vai dizer o que foi a nossa gestão", afirmou. Ontem, diante dos secretários municipais e servidores convidados para uma última apresentação da atual administração, Kassab ainda reclamou do que chamou de "uso político" do plano de metas. "Agem de má-fé, deturpam o programa que, na sua origem, não era para ser cumprido 100% ao fim da gestão."

Sem dizer nomes, o prefeito mandou recado à Rede Nossa São Paulo, autora do projeto que tornou obrigatória a divulgação do plano. O coordenador-geral do instituto, Oded Grajew, tem criticado o que chama de baixo empenho do prefeito em cumprir o que divulgou. "A lei das metas é um grande avanço político: melhora a gestão, torna o processo eleitoral mais responsável (as promessas de campanha têm de estar no plano) e o voto mais consciente. Esperamos que os próximos prefeitos a levem mais a sério", disse. / A. F. e R. B.

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