Em meio século, litoral assistiu a uma ocupação predatória

Análise: Ricardo Cardim

RICARDO CARDIM - ambientalista e colunista da Estadão ESPN, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2012 | 03h06

Em meio século, o que se assistiu no litoral paulista foi a uma ocupação predatória dos últimos redutos de vegetação nativa ainda preservada no Estado. Práticas como lotear até o limite da praia com a completa eliminação de sua vegetação típica - a restinga - foram a regra. O resultado pode ser visto, principalmente, no litoral da Baixada Santista. Cidades como Itanhaém, outrora dona de uma restinga referência para botânicos e naturalistas, são hoje obrigadas a entulhar de pedras as praias para evitar a erosão causada pelo pouco espaço deixado para marés altas.

Atualmente, todo o vasto litoral que vai do Guarujá até Peruíbe perdeu a vegetação de restinga. A ocupação que destruiu a natureza do litoral sul se movimenta agora em direção ao norte, para as praias com os últimos remanescentes de Mata Atlântica até a linha da areia. Em 2008, na região metropolitana da Baixada Santista, apenas 22% das restingas sobreviviam na região, com Bertioga eleita como alvo preferido dos novos empreendimentos imobiliários.

A restinga é formada por comunidades vegetais complexas do bioma Mata Atlântica e de grande biodiversidade. Somente na região onde se pretende levantar o condomínio, os números impressionam: são 611 espécies de plantas - entre elas, 195 espécies de árvores e 45 de orquídeas, incluindo espécies raras e na lista de ameaçadas de extinção no Estado de São Paulo. Desmatar 660 mil m² desse patrimônio ambiental não tem justificativa no século 21.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.