Em meio ao pânico, professores trancam alunos nas salas

Estudante relata que, de início, som dos tiros pareceu brincadeira, mas todos se desesperaram quando viram sangue

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 03h01

Houve pânico e correria na escola. Como o crime aconteceu depois do intervalo de uma das turmas, alguns alunos chegaram a imaginar inicialmente que se tratava de uma brincadeira. "Estava no térreo e todos pensaram que era bombinha. Ninguém ligou... Foi quando veio o segundo disparo e todo mundo subiu para ver o que era", relatou o menino W., de 14 anos, do 7.º ano. "Quando se viu o sangue, todo mundo entrou em desespero. Alguns professores até trancaram os alunos nas salas próximas, por segurança."

 

Veja também:
linkCriança atira em professora e se suicida em sala de aula no ABC paulista
linkOUÇA: Pai de garoto é policial, diz aluna 
link'Estadão ESPN': tenente da PM fala sobre o caso 
linkProfessora reclamava de aluno e informou escola 
linkArma usada era particular, e não da corporação, diz delegada 

Na sequência do crime, os professores organizaram a saída, com os menores à frente. Mesmo assim, muitos pais correram para o portão do Professora Alcina Dantas Feijão - alguns chamados pelos filhos. Um dos adultos teve uma convulsão ao ver a cena e precisou ser socorrido.

Estudantes que conheceram D. não acreditavam no que aconteceu. G.A., de 16 anos, que também mora no conjunto habitacional da família do garoto, disse que o viu ontem pela manhã e ele parecia normal. "Ele era muito bonito, com cabelo tigelinha, tinha cara de anjo", contou. "Também era quieto e tímido."

A relação de D. com o irmão G., do 9.º ano, também não despertava atenção. "Nunca vi os dois brigando, eram tranquilos", disse a aluna B.T.S., de 15 anos, da mesma sala do irmão de D.

Ela conta que o irmão não imaginou que a movimentação no colégio pudesse ter a ver com D. Quando descobriu, "começou a passar mal e foi para a parte de baixo da escola".

No Instituto Médico-Legal, B.H.S.N, de 16 anos, outro estudante do 9.º ano, foi prestar solidariedade. "A escola é como uma família para mim", disse. Na hora da ação, ele estava ensaiando uma música no auditório do local para uma mostra cultural, marcada para o dia 22 de outubro.

Já a dona de casa Lídia Litwin, de 47 anos, que foi aluna da escola e tem uma filha lá, não associa o que ocorreu com a instituição. "Eu fiz curso técnico aqui, é uma grande escola." Ela mora na frente do colégio e diz que "o problema, muitas vezes, são crianças e também pais sem educação", que vê na hora da saída.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.