Em meio ao caos, enterros sem registro

Apenas 18 dos 34 corpos de vítimas de enchentes em Alagoas passaram pelo Instituto Médico Legal de Maceió

Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 00h00

Das 34 vítimas das enchentes até agora contabilizadas em Alagoas, apenas 18 corpos chegaram ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Maceió para exames dos legistas e liberação do atestado de óbito. Desses, quatro ainda não identificados permanecem guardados no local. Para serem oficialmente reconhecidos como mortos e enterrados, todos precisam passar pelo IML.

O coordenador da Defesa Civil de Alagoas, tenente-coronel Neotônio Santos, explica que, diante situação de caos, algumas famílias enterraram suas vítimas de forma emergencial, sem seguir trâmites legais. Segundo ele, um levantamento começou a ser feito pela Defesa Civil para "não deixar indício de irregularidade, nem em relação aos danos nem em relação às mortes".

Quando foi divulgada a estimativa inicial de 1.087 desaparecidos, o IML de Maceió, com apenas duas mesas de necropsias e uma equipe de cinco profissionais, previu uma situação extrema, que não veio a se concretizar. O número de desaparecidos caiu no final de semana para 76. O IML da capital abrange 42 municípios (incluindo os atingidos pelas enchentes).

Medo. A volta da chuva fez com que moradores da área ribeirinha de Palmares (PE) entrassem em alerta ontem para uma possível cheia do Rio Una, que passa pela cidade. Mas, às 21h30, não havia registro de alagamentos, segundo a Defesa Civil.

A previsão para hoje é de mais chuva. Principalmente no litoral, na Zona da Mata e no agreste de Pernambuco e de Alagoas, segundo a Climatempo. A situação não muda muito amanhã.

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