Em meio a protestos, sem-teto marcam encontro com Dilma nesta quinta

Grupo vai se encontrar com a presidente em Itaquera para discutir sobre problemas de moradia e despejo; segundo o coordenador do MTST não haverá protestos em frente à Arena Corinthians

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2014 | 09h45

Atualizado às 15h03

SÃO PAULO - Após manifestações na zona oeste da capital paulista, representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) vão se encontrar com a presidente Dilma Rousseff em Itaquera, às 14h desta quinta-feira, 8, para discutir sobre a ocupação "Copa do Povo", o Programa Minha Casa Minha Vida e os despejos que vem sendo realizados no País. O encontro foi agendado após a assessoria de imprensa da presidente entrar em contato com os manifestantes, o que levou ao término dos protestos.

Na manhã desta quinta-feira, 8, três atos convocados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) terminaram com a invasão e a pichação de três prédios das principais construtoras responsáveis pela reforma e construção dos estádios da Copa do Mundo: Odebrecht, Andrade Gutierrez e OAS.

Segundo o coordenador do MTST,  Guilherme Boulos, não haverá protesto do movimento em frente ao “Itaquerão” porque a assessoria da presidente Dilma entrou em contato com o grupo dizendo que seriam recebidos por ela. 

Inicialmente sem divulgar sua rota, o grupo, que saiu do Metrô Butantã seguiu em direção ao prédio da Odebrecht. Cerca de mil integrantes do MST se juntaram à marcha, que teve orientação para que não houvesse quebra-quebra. Entre os manifestantes, havia idosos e crianças.  O povo gritava "Dilma, a culpa é sua" e carregava uma faixa contra a construtora.

Ao chegarem no edifício, cerca de 150 manifestantes invadiram por 15 minutos o prédio da empresa e fizeram pichações por dentro e por fora da recepção do edifício com a inscrição "copa das tropas e das empreiteiras". Nada foi quebrado, mas, durante a ação na recepção, algumas pessoas do movimento chegaram a barrar as portas giratórias de acesso.

"Não sei o que fazer, parece que eles fecharam todas as portas", disse um funcionário da construtora que chegava para trabalhar mas não conseguiu entrar no prédio. Ele preferiu não se identificar.

 

'Copa sem povo'. Movimentos por moradia organizaram ao menos quatro manifestações em diferentes pontos da capital paulista nesta quinta-feira, 8. Pela manhã, um grupo de cerca de 400 integrantes do Movimento Anchieta bloquearam vias da zona sul da cidade para reivindicarem a destinação de um terreno da região para a construção de moradias populares. Paralelamente a essa ação, integrantes do Movimento dos MTST, do Movimento Popular por Moradia (MPM) e do Movimento de Luta Popular (MLP) se concentraram em outros pontos da capital: no Metrô Butantã,  na zona oeste, na Estação Berrini da CPTM, na zona sul, e na Praça do Ciclista, região da Avenida Paulista.

Os atos contaram também com a participação do MST e fazem parte de uma campanha chamada "Copa sem povo, tô na rua de novo" que deve promover uma série de manifestações nas próximas semanas até a Copa do Mundo, cuja abertura acontecerá no dia 12 de junho na Arena Corinthians, zona leste de São Paulo.

 

 

 

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