Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Em mais 2 operações em favelas, PM acha até túnel ao lado da USP

Operação na São Remo reuniu 80 policiais e prendeu 4 homens. Dois deles são acusados de matar policiais militares

Artur Rodrigues / William Cardoso, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2012 | 02h07

A Polícia Militar realizou operações em mais duas favelas de São Paulo nesta quarta-feira, 31. O objetivo era prender assassinos de policiais e apreender drogas. Policiais acabaram descobrindo também que os traficantes usavam um túnel para facilitar o acesso à Universidade de São Paulo (USP).

Na Favela São Remo, perto da Cidade Universitária, 50 policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e 30 do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) participaram da operação, que terminou com quatro presos, sendo dois acusados de matar PMs. Os presos são Antonio Soares, de 32 anos, o Tonhão, e Filizario dos Santos Pacheco, de 24, o Fefe.

Outros cinco suspeitos de participar do assassinato do soldado André Peres, da Rota, no Butantã, na mesma região, foram identificados, mas estão foragidos. Entre eles está Vanderlei Gouveia, o Madu, de 30 anos, suspeito de ser o executor do crime e o chefe do tráfico na favela.

A casa de Madu, separada da USP apenas por um portão, tinha um túnel para outra residência, onde era refinada a cocaína. "Quem olha de fora pensa que é só um sobradinho de comunidade carente, mas, ao entrar lá, tinha um requinte, que é normal infelizmente na comunidade em que o traficante quer demonstrar riqueza", disse o coronel César Morelli, comandante do Batalhão de Choque. Na casa do traficante, havia jacuzzi, granito, louças de alto valor.

Os policiais localizaram também 70 tabletes de maconha com cerca de um quilo cada, sacos avulsos com trouxinhas de maconha e pinos de cocaína.

A incursão da polícia na São Remo causou transtornos na rotina local, mas não desagradou a todos os moradores. "Eles pediram licença para entrar. Se continuarem agindo assim e se for para pacificar, que continuem a fazer isso", afirmou uma faxineira de 35 anos no início da tarde de ontem.

Na Favela Funerária, na zona norte da capital, dezenas de homens da PM participaram de outra operação que resultou na prisão de quatro pessoas e na apreensão de 726 kg de maconha. Além disso, foram apreendidos três veículos.

Saturação. Em Paraisópolis, na zona sul, a principal prisão do dia aconteceu no fim da madrugada de ontem. A PM prendeu Jesse Serafim, de 36 anos, apontado pelos policiais como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). Com ele, foram encontrados 11,2 kg de cocaína, 15 kg de maconha e duas armas de cano longo, uma espingarda calibre 12 e uma carabina 44.40. Até as 20 horas, 13 pessoas tinham sido presas na operação, que começou anteontem.

O governador Geraldo Alckmin afirmou que outras ações parecidas devem ser realizadas. "O Setor de Inteligência vai orientando a ação da polícia. Começou na comunidade de Paraisópolis, depois nessa noite foi para a Favela da Funerária, hoje (ontem) é na comunidade São Remo. E outras estão sendo preparadas", disse Alckmin.

A apreensão de drogas é um jeito encontrado pelo governo para sufocar o crime organizado, causando prejuízo financeiro. "O crime organizado vem perdendo tanto em dinheiro, quanto em droga, quanto em pessoas presas", disse o coronel César Morelli.

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