Em Los Angeles, morre um dos pais da bossa nova

O artista, de 73 anos, morava nos Estados Unidos e passava por tratamento contra um câncer de estômago

JULIO MARIA, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2013 | 02h03

Após meses de luta contra um câncer, morreu anteontem o músico Oscar Castro-Neves, aos 73 anos. Ele, que ajudou a divulgar a bossa nova no exterior, morava em Los Angeles, nos EUA. O tumor estava alojado inicialmente no estômago, depois tomou o fígado e passou por um processo de metástase, atingindo outros órgãos.

Sem a sofisticação de cabeças como a de Castro-Neves, formadas por encadeamentos do jazz de Dizzie Gillespie e de Charlie Parker, a bossa nova seria reconhecida como um sambinha de luxo. Oscar não ficou como o nome de frente da turma por sua discrição - e por opção. Depois do histórico show da bossa nova no Carnegie Hall de Nova York, em 1962, ele foi um dos que preferiu não voltar ao País.

De Nova York, partiu para a Califórnia, onde seguiu em excursão com o quinteto de Dizzie Gillespie, o trio de Lalo Schifrin, o quarteto de Stan Getz e o quarteto de Laurindo de Almeida. Gravaria depois com Quincy Jones, Ella Fitzgerald, Barbra Streisand e até Michael Jackson. Ausente do País, veria de longe a bossa ganhar muitos pais: João Gilberto, Tom Jobim, Baden Powell, Vinicius de Morais, Carlos Lyra. Talvez fosse ele o menos lembrado.

Seu instrumento era o violão e sua cabeça era de maestro. Cantava, mas não se considerava cantor. Sentia-se muito mais em casa quando se apresentava como compositor, arranjador, produtor e instrumentista.

Não havia quem não tocasse instrumento em sua casa. E, aos 16 anos, já tinha música demais querendo sair de sua cabeça. A primeira delas foi Chora Tua Tristeza, que lhe veio quando estava em um lotação, no Rio.

Depois, formou um grupo com os irmãos até descobrir que a turma da zona sul do Rio tinha as mesmas intenções que ele. De parceria em parceria, ganhou nome o bastante para ser designado o homem que ensaiaria todo mundo para a apresentação de 1962 no Carnegie Hall.

A bossa nova atracou nos mares da MPB e Castro-Neves seguiu, retornando ao Brasil poucas vezes até se estabelecer nos EUA. Já tinha nome suficiente quando os anos 1970 chegaram. A indústria de filmes o descobriu como autor de trilhas sonoras e o contratou para Blame it On Rio; Gabriela; LA Story; He Said, She Said; Larger Than Life. Tornou-se também diretor de musicais e produtor de discos.

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