Em ligação ao 190, testemunha descreve decapitação em Mogi

Mulher diz ter visto segurança matar empregada doméstica e, desesperada, denunciou à Polícia Militar, com ajuda de um homem

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2014 | 11h34

Atualizada às 23h09

SÃO PAULO - A Polícia Militar divulgou o áudio de uma ligação ao 190 feita por uma mulher que testemunhou o assassinato e a decapitação da empregada doméstica Maria do Rosário Coentro Amaral, de 59 anos, pelo segurança Jonathan Lopes de Santana, de 23, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, na quarta.

Ouça abaixo o áudio da ligação para o 190: 


A chamada levou à prisão do criminoso no mesmo dia. Ele assumiu a morte de seis pessoas em Mogi e no município vizinho de Poá, entre sábado e quarta-feira. Quatro vítimas foram decapitadas e o segurança também responde por três tentativas de homicídio - uma delas é contra o filho de uma prima, de apenas 3 anos. 

A ligação foi feita por volta das 6h30, após Maria do Rosário ser atacada pelas costas, atrás de um caminhão, na Rua Antônio de Almeida. A testemunha chora ao contar para o policial o que havia acabado de ver. 

“O cara cortou a cabeça de uma mulher e foi embora de carro, com capuz na cabeça”, explicou ao policial. O PM pede para a mulher ficar calma e questiona sobre a decapitação. Quando a mulher confirma, o policial também demonstra pavor. 

“Meu Deus do céu”, respondeu o PM ao telefone. Sem condições de falar, a testemunha passa o telefone para um homem que também presenciou o crime. Ele informou a placa do carro ao policial.

Imagens de uma câmera de segurança mostram que o criminoso levou pouco mais de um minuto para descer do carro, atacar a empregada doméstica, cortar a cabeça dela e voltar para o automóvel. Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que atacou a vítima porque ela estava mal vestida e a confundiu com uma moradora de rua, perfil de pessoas que teria de matar por ter feito “um pacto com o diabo”. 

Antes de ser preso, e após matar Maria do Rosário, Santana ainda teve tempo para assassinar e decapitar Maria Aparecida do Nascimento, de 46 anos. Ela estava em um ponto de ônibus no caminho que o segurança fez para voltar para casa, onde foi preso por policiais militares.

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Confuso. Preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mogi, o segurança mostrou estar “confuso”, conforme o advogado Edson Pereira Reis. “Ele começa a falar, depois ri. Quer dizer, ele está sem noção do que aconteceu”, disse Reis. 

O acusado negou que tenha tentado enforcar o filho da prima em uma festa da família, há uma semana. No entanto, segundo o advogado, ele confirma os outros ataques. “Ele disse que realmente fez e não sabe explicar o que o motivou. Em relação à criança, disse que não tem nada a ver com o que houve.” 

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