Em leilão de sucata, carro é vendido por R$ 330

Veículos abandonados nas ruas da capital são comercializados e reciclados por usinas

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2012 | 03h03

Nas ruas de São Paulo, eles são usados como depósito de lixo. Nos leilões, vendidos a peso de ouro. O mercado da sucata chega a pagar R$ 330 pela carcaça de um carro popular abandonado pelo dono. E o preço pode aumentar de acordo com o estado de conservação e a quantidade de peças prontas para reutilização. Quem conhece "garimpa" as ofertas espalhadas pelas subprefeituras e transforma o lixo em material de reciclagem.

Nos mutirões municipais realizados pela Prefeitura nos meses de junho e julho, 13 carros foram parar nos pátios por dia. No ano, foram 1.344 unidades - número 109% maior se comparado a 2009. A intensificação do serviço também gera ações individuais. Hoje, após a notificação - feita a partir de um aviso colado no painel do veículo -, o proprietário tem cinco dias para fazer a retirada. Se não respeitar o prazo, só poderá retirá-lo após pagamento de uma multa pesada, de R$ 13 mil.

O rigor das regras dá resultado. Em dois meses, de acordo com o subprefeito da Sé, Nevoral Bucheroni, cerca de 65% dos veículos considerados abandonados acabaram retirados pelos próprios donos. "Mas outros 783 tiveram de ser resgatados pelas equipes municipais", diz.

Sem pendências. A região promoverá seu primeiro leilão no próximo dia 11. Serão colocados à disposição 75 carros e 18 trailers. O lote, porém, representa apenas uma parte do que está depositado no pátio da Sé.

"Hoje, temos 780 veículos estacionados por lá. Não pudemos oferecer todos eles nesse primeiro leilão porque boa parte ainda tem empecilhos administrativos." A Prefeitura só pode leiloar carros que não possuem pendências jurídicas ou mesmo relações com ocorrências policiais.

Neste ano, os leilões promovidos pelas subprefeituras resultaram na venda de 484 toneladas de sucata. Uma das maiores foi feita em Cidade Ademar, zona sul, no último dia 21. José Antonio da Costa Borges, de 46 anos, só precisou de dois minutos para assegurar a compra de 27 toneladas, por R$ 7 mil. Considerado o "rei da sucata" de São Paulo, o comerciante é craque no garimpo. Em meio ao monte de carcaça, uma única peça escondida em um motor de ônibus queimado lhe rendeu R$ 4 mil.

"Soube da existência dessa peça na primeira vez que visitei o lote, no pátio da subprefeitura. Por causa dela é que a compra toda valeu a pena, porque o preço do quilo da sucata está muito baixo hoje. Levei o lote pelo preço de R$ 0,22 e devo passar para frente por, no máximo, R$ 0,33 a R$ 0,35. E ainda tenho de providenciar toda a mão de obra e o transporte para retirar os carros daqui", contou.

Para não ficar no prejuízo, o segredo, segundo Borges, é "passar o material para frente o mais rápidamente possível." Para ele, mexer com sucata é o mesmo que mexer com dólar. "A cotação varia diariamente. Um dia você ganha, no outro você perde."

Maior lance. No caso de Borges, a vitória é quase sempre garantida. No leilão da Subprefeitura do Ipiranga, na quarta-feira passada, foi o sócio dele quem levou o lote de 15 toneladas.

Mas não sem reclamar. "O preço aqui foi muito alto. Pagamos R$ 0,33 o quilo da sucata. Só valeu a pena porque temos mão de obra própria", afirmou Eraldo Lima Campos, de 45 anos.

Pelas regras do leilão, a retirada do material deve ser concluída em até 15 dias.

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