Em Jaú, Santa Casa terá até sobra de dinheiro

Débito foi renegociado e administrador prevê sobra de R$ 1,5 milhão; no começo dos anos 2000, estrutura estava fechada por causa de dívidas

CHICO SIQUEIRA, ESPECIAL PARA O ESTADO, ARAÇATUBA, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2014 | 02h01

A Santa Casa de Jaú, criada há 108 anos no interior de São Paulo, deve fechar as contas de 2014 com sobra no caixa. O que parece ser uma novidade entre os hospitais filantrópicos já é esperado há alguns anos pela instituição e só não ocorreu antes por causa de uma dívida com a Receita Federal que agora vai entrar no programa de refinanciamento de dívidas fiscais (Refis).

Mantida pela Irmandade Misericórdia do Jahu, entidade que nasceu há 121 anos, a Santa Casa chegou a ser fechada na década de 1990 e começo dos anos 2000, quando acumulou dívidas de R$ 15 milhões. Mas, segundo Alcides Bernardi Júnior, provedor no cargo há quatro anos, desde 2005 o hospital vem praticamente empatando as despesas com as receitas.

A instituição só não fecha "no lucro" porque deve R$ 1,5 milhão à Receita e R$ 3,5 milhões ao Serviço de Água e Esgoto do município. "Essas dívidas devem ser reduzidas em 2014. A prefeitura tem dívidas com o hospital e a renegociação fiscal com a Receita vai reduzir nossas parcelas", disse Bernardi. "Não sabemos ainda, mas podemos chegar a fechar o ano com até R$ 1,5 milhão (de sobra)."

A Santa Casa de Jaú é hospital referência para 12 municípios, tanto em atendimentos de emergência e ambulatorial quanto de alta complexidade. "Fazemos praticamente de tudo", afirmou Bernardi. São 800 cirurgias, 210 partos e cerca de 18 mil atendimentos por mês. "Em março, fizemos 23 mil atendimentos por causa da epidemia da dengue."

O contrato com o Serviço Único de Saúde (SUS) é para 60% dos serviços do hospital, mas a instituição faz 75%. O restante é de convênios e de particulares, que, com a ajuda de repasses, mantêm as contas do hospital.

A Santa Casa tem verba para investimentos próprios: foram cerca de R$ 6 milhões nos últimos anos. "O que fazemos é uma administração austera, sempre de olho em tudo, especialmente nos gastos."

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