Em Itu, Fazenda Capoava resgata história paulista

O cotidiano, os ciclos econômicos e a culinária do Estado de São Paulo são contados de forma interativa, lúdica e interessante no Espaço Memória Capoava, recém-inaugurado em uma antiga fazenda de café de Itu, onde funciona um hotel. O museu, entretanto, também é aberto a não hóspedes. Grupos e escolas podem visitar o local com guias.

EDISON VEIGA / ITU, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h04

A concepção do Espaço Memória é obra da socióloga Maria Alice Setúbal, conhecida como Neca. Única mulher entre sete filhos do banqueiro Olavo Setúbal, ela jamais se envolveu no império financeiro da família. Preferiu a carreira acadêmica. Separada, no ano 2000 conheceu o atual marido aos 50 anos: Paulo de Almeida Prado, de sobrenome quatrocentão, descendente de família paulista conhecida por ter fazendas Brasilzão afora. Dois meses depois, estavam casados. E decidiram comprar a Fazenda Capoava e transformá-la em hotel.

Trata-se de uma fazenda histórica de arquitetura bandeirista, que, depois de restaurada, mantém os detalhes e a rusticidade de um ambiente típico do campo paulista. O casarão sede, original, data do século 18. Antigas senzalas de escravos foram transformadas em chalés.

O Espaço Memória é a cereja do bolo - ou melhor, o trigo do bolo de fubá - do hotel de Neca. Nasceu a partir de sua pesquisa Terra Paulista: Histórias, Arte, Costumes, coordenada pela socióloga em 2004. "Desde então, queria um espaço para resgatar a memória do Estado de São Paulo, por meio do cotidiano nas fazendas." A montagem do museu ficou a cargo da empresa Base 7, conhecida por desenvolver projetos interativos para museus e empreendimentos culturais.

A arquitetura também vale a visita. O imóvel, de pau a pique e estilo bandeirista, é uma volta ao passado. Em uma linha do tempo interativa é possível entender o contexto político e econômico do Estado ao longo dos ciclos do açúcar, do café e do gado.

"É um ambiente de estudo, pesquisa e para curiosos que desejam conhecer suas raízes e a história de São Paulo", conta Neca. "Recursos audiovisuais - como os terminais de consulta eletrônica, os vídeos e animações em 3D - e o grande acervo de objetos que remetem ao cotidiano das fazendas nos períodos das monções, ciclos do açúcar, café e gado compõem o ambiente."

Cozinha. Há também uma área dedicada à cultura alimentar, especialmente do período dos bandeirantes. Receitas manuscritas passadas de geração a geração de famílias tradicionais podem ser conferidas em painéis. A chef Heloísa Bacellar, do restaurante Lá da Venda, na Vila Madalena, fez a releitura de algumas para o restaurante do hotel. "Mas o mais interessante mesmo seria se cada um dos visitantes exercitasse em casa as receitas ali expostas. Assim, a tradição se mantém viva", acredita a socióloga.

Uma máquina de beneficiamento de café dos anos 1930 e movida a roda d'água - cujas engrenagens podem ser vistas por um piso de vidro - rouba a cena. Em vídeo, o visitante pode ver como a engenhoca funcionava.

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