Em Ipanema, pânico até com caixa vazia

Helicóptero, carros, cães farejadores, guardas e 50 policiais foram mobilizados após suspeita de bomba; era só campanha publicitária

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

O clima de insegurança que toma conta do Rio transformou uma campanha publicitária em caso de polícia. Uma suspeita de bomba em cinco caixas de madeira encontradas em bairros da zona sul alarmou moradores e mobilizou dezenas de policiais na manhã de ontem.

Depois de explodir duas caixas, o esquadrão antibombas constatou que estavam vazias e faziam parte de uma ação de marketing contratada pela empresa de produtos de higiene e alimentação Procter & Gamble. A publicidade integra promoção que tem como garoto-propaganda o apresentador Fausto Silva, da TV Globo. A emissora esclareceu que não tem relação com a concepção da campanha.

Cerca de 50 policiais civis e militares, guardas municipais, cães farejadores, carros, caminhonetes e um helicóptero cercaram uma das caixas, na Praça General Osório, em Ipanema. Ela foi encontrada ao lado de uma cabine da Polícia Militar, por volta de 7 horas. O cerco à outra foi menor, na Praça Nossa Senhora da Paz, no mesmo bairro.

Segundo o delegado Fernando Veloso, da 14.ª Delegacia de Polícia (Leblon), o material pertencia à Moda Promoções e Eventos, que não tinha licença da prefeitura para colocar as caixas naqueles locais. A empresa fez um pedido autorização na terça-feira, mas não obteve aprovação do requerimento a tempo.

Em nota, a Procter & Gamble informou lamentar "profundamente pelo desconforto causado à população" e afirmou que a campanha, prevista para outras cidades, foi suspensa imediatamente. Veloso disse que vai indiciar os responsáveis pelar contravenção de "provocar alarme anunciando perigo inexistente", com pena de 15 dias a 6 meses de prisão ou multa.

As empresas também podem ser obrigadas a ressarcir o Estado pelas despesas com a operação policial. Parte da Rua Visconde de Pirajá, uma das principais vias de Ipanema, precisou ser fechada - o que provocou mudanças no trânsito e o desvio de linhas de ônibus. A confusão criada pela campanha publicitária provocou medo na população. A dona de casa Marília Martins disse que estava apreensiva, mas não mudou o itinerário que fazia a pé, a menos de 10 metros de uma das caixas publicitárias. "Eu fico com muito medo porque conheço a violência da cidade e vejo pelos jornais que os traficantes estão queimando ônibus e carros", disse.

As caixas de madeira estavam fechadas com cadeados de combinação numérica e foram colocadas de modo a simular que haviam sido lançadas por aviões.

Mala. À noite, a PM encontrou uma mala suspeita próximo da 17.ª DP (São Cristóvão). Segundo moradores, a mala foi deixada por homens em uma moto. O esquadrão antibombas foi chamado, mas até 23h não havia informações sobre o conteúdo.

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