Em funeral de sargento, comandante da PM diz que Brasil vive guerra

De acordo com o comandante Benedito Roberto Meira, só neste ano oito policiais da Baixada Santista morreram enquanto trabalhavam

Zuleide de Barros, Especial para O Estado

26 Setembro 2014 | 19h56

SANTOS - "O Brasil vive um momento de guerra". O desabafo foi feito na manhã desta sexta-feira, 26, pelo comandante-geral da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira, que participou do sepultamento do sargento Alexandre Luís Iati de Lima, de 37 anos, morto na quinta-feira, 25, no bairro do Ipiranga, ao atender uma ocorrência conhecida como "saidinha de banco". Bandidos tentavam assaltar uma pessoa que havia sacado R$ 5 mil em uma agência bancária.

De acordo com o comandante, somente neste ano oito policiais da Baixada Santista morreram enquanto trabalhavam. Visivelmente emocionado, Meira disse que o momento era extremamente doloroso. "Infelizmente, creio que Santos é a cidade onde mais estive em funerais. Não só de policiais que morreram aqui, mas que morrem em outros locais do Estado e são enterrados aqui", lamentou. O comandante afirmou ainda que, em nenhum lugar do mundo, morrem tantos policiais como no Brasil. 

"Estamos vivendo uma guerra. É uma situação difícil. Temos que fazer frente a essa criminalidade violenta, que atira sem qualquer precedente, matando inocentes. Eu tenho certeza de que nós damos a nossa própria vida em defesa da sociedade. Aqui está um exemplo. Só nesse ano, 66 policiais militares já foram vítimas de homicídios e latrocínios. Tivemos também mais de 190 casos de policiais vítimas de tentativa de homicídio", alertou.

O comandante defendeu a necessidade de repensar as várias vertentes que envolvem a segurança pública no Brasil. "Será que o modelo vigente é o melhor? Nós temos que mudar a nossa estrutura e também a nossa legislação. É uma reincidência absurda. Nenhuma pessoa que cumpre uma pena normalmente volta para o trabalho. Ela não tem oportunidade e volta para o crime", argumentou. 

Meira pediu ajuda das autoridades. "Nós precisamos reverter esse jogo. Precisamos fazer com que as pessoas acordem para essa guerra. As pessoas que ocupam cargos, seja no Executivo, Legislativo e Judiciário têm que despertar para o problema. Quem está sentido as consequências são vocês, os cidadãos e nós, policiais militares", completou o desabafo, após a cerimônia em homenagem ao policial morto, que foi enterrado no Cemitério Municipal de Areia Branca. O sargento trabalhava na capital, mas morava em Praia Grande.




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