Em feira, a arte de tosar cães

Doze profissionais disputam hoje o título de melhor groomer (tosador) na Pet South America.

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2010 | 00h00

Dependente "incondicional" da chapinha, a auxiliar de escritório Viviane Cordeiro, de 27 anos, parece desconcertada ao descobrir em um campeonato de tosa de cachorro que o pelo "armado" é esteticamente mais desejável para o corte. "Pelos lisos, de raças como maltês ou yorkshire, não oferecem volume para o desenho", diz o nova-iorquino Mario di Fanti, juiz do campeonato Groom Brasil. A prova é parte da feira de veterinária Pet South America, voltada a profissionais do setor, que termina hoje no Expo Center Norte.

"Quero ser uma poodle", diz Viviane, com expressão próxima à da que os tosadores chamam de "baby face" (quando a "sobrancelha" do bicho é aparada em um ângulo que deixa os "olhinhos tristes"). Os organizadores esperam atrair 20 mil profissionais da área para a feira, que tem 200 expositores.

Pelo que se observa no Groom Brasil, os cães são muito mais silenciosos que a agitada clientela dos cabeleireiros. A comparação é irresistível. O groomer (tosador) Luiz Renato, que atende em um "top pet" em Pinheiros. zona oeste, explica que é comum mandar um "pet-táxi" buscar o cachorro em casa. Animais "luxentos" vão de limusine.

A beglinton terrier Stelinha olha entediada para o horizonte, enquanto o tosador Temílson Cabral segura seu queixo para acertar o desenho dos pelos ao redor da boca. "O cachorro de campeonato é treinado até se acostumar a ficar em cima da mesa parado como estátua. E tem de tomar banho três vezes por semana, para que o pelo fique no ponto do corte", explica o esteticista Anderson de Barros, de 29 anos, ele mesmo adepto de um corte moicano.

Nessas provas, cada tosa leva em média duas horas. "Se você peca em um item da preparação, pode colocar tudo a perder", diz Renato. Para não pecar, é preciso seguir o ritual. Logo depois da pré-lavagem, aplicam-se o xampu reforçador da cor do pelo e a máscara de hidratação para dar volume. "No fim, a gente dá uma polvilhada de cristais."

"É babado", diz o vencedor da primeira eliminatória, Clayton Muniz, de Americana. Clayton optou por fazer no poodle gigante Bengje o corte powder poof (R$ 70). "O nome vem daquela esponja de pó de arroz", explica.

Doze profissionais participarão hoje da final. O vencedor ganhará R$ 5 mil ou a viagem para participar de um campeonato internacional nos Estados Unidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.