Em escuta, fiscal diz ter 'todos os recibos'

Luis Alexandre Magalhães também cita servidores de confiança da gestão Haddad

Artur Rodrigues, Bruno Ribeiro, Diego Zanchetta, Fabio Leite, Luciano Bottini Filho e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2013 | 02h09

O Ministério Público Estadual apreendeu com o auditor fiscal Luis Alexandre Magalhães certificados e recibos de empresas que tiveram suas dívidas do IPTU zeradas dos registros da Prefeitura. Nas escutas que o MP analisa, Magalhães ameaça outros integrantes da quadrilha de delatar o esquema e diz ter "todos os recibos do IPTU".

O auditor que aceitou entrar na delação premiada do MP também cita vários funcionários de cargos de confiança da gestão Fernando Haddad (PT), entre eles o atual subsecretário da Receita, Douglas Amato, e o secretário municipal de Governo, Antonio Donato (PT).

As ameaças de Magalhães eram endereçadas ao ex-chefe da arrecadação da gestão Gilberto Kassab (PSD) Ronilson Bezerra Rodrigues, suspeito de ser o chefe da quadrilha nos últimos quatro anos. Em uma das escutas, Magalhães pede ajuda de Rodrigues, que argumenta não ter mais influência na Secretaria de Finanças.

"Primeiro queria falar minha situação para vocês. Eu fui para a SPtrans, fui escorraçado da Secretaria de Finanças. Pegaram uma empresa da Prefeitura e me colocaram lá: diretor financeiro-administrativo. Não conhecia o Jilmar Tatto, não conhecia o adjunto, não conhecia ninguém. Essa é a minha situação", afirma Rodrigues para Magalhães e Carlos Alberto Di Lallo, outro auditor que faz parte da suposta quadrilha.

Rodrigues não convence os antigos aliados. Magalhães segue na conversa fazendo ameaças e cita os certificados do IPTU de empresas supostamente beneficiadas pelo grupo. "Eu não sei o que vocês vão fazer, eu não estava nessa sozinho. Tenho todos os números de certificado, inclusive o CD com a cópia do certificado que antes rodava na sala, o primeiro documento do Amílcar (Cançado Lemos, auditor suspeito de ter iniciado as fraudes). Eu tenho tudo desde que eu fui trabalhar com o Amílcar. Não vou ser bode expiatório. Eu tenho família, você tem família", diz Magalhães.

Nas escutas, Magalhães diz que foi alertado pelo ex-diretor de Arrecadação e Cobrança da gestão Haddad, Leonardo Leal Dias da Silva, sobre a investigação. Ele afirma para Rodrigues: "O Leo falou pra mim, é o corregedor vai botar pra f..... Precisa de um bode expiatório".

Silva sabia da investigação porque respondeu a requerimentos do MPE feitos neste ano. Ao Estado, por e-mail, ele afirmou que não tinha informação sobre o esquema.

Rodrigues confirma que fala diariamente com o atual subsecretário da Receita, Douglas Amato. "Vamos trazer o Leo e o Douglas aqui. E nós vamos para o (Antonio) Donato também", afirma Rodrigues.

Judoca. Durante a conversa, é feita a referência ao "judoca", que o MP apura se é o vereador Aurélio Miguel (PR). "Dizem que você fez um negocinho pro seu nome não aparecer. Junto lá com o judoca", diz Magalhães. "Eu não falo com o judoca desde novembro", responde Rodrigues. Miguel e Donato afirmam que conheciam Rodrigues porque eram da Comissão de Finanças. Ambos negam envolvimento no esquema.

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