Em episódios, quanto mais pessoal, melhor

Crítica:

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

17 Março 2010 | 00h00

BOM

Emmanuel Benbihy, produtor que detém a franquia Eu Te Amo, é um sujeito esperto. Ele percebeu o potencial de um formato que andava meio por baixo, embora tenha desfrutado de muita popularidade nos anos 1960. Naquela época, os italianos, principalmente, mas também os franceses, produziram muitos filmes em esquetes.

A maioria era formada por comédias e mesmo os maiores diretores - Luchino Visconti, Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Pier Paolo Pasolini etc - se exercitaram no formato. A fórmula parecia que se esgotara. Foi ressuscitada por Gilles Jacob.

O todo poderoso presidente do Festival de Cannes (dirigiu e modificou sensivelmente o grande evento cinematográfico entre 1977 e 2001) convidou grandes diretores de todo o mundo para festejar os 60 anos do evento.

Chacun son Cinéma. A cada um seu cinema - autores de ponta declararam seu amor pelo cinema e revelaram, pela via da ficção, porque filmam. O brasileiro Walter Salles, em parceria com Daniela Thomas, fez um dos episódios de Chacun son Cinéma. Salles criou um problema para Jacob, porque fez não um, mas dois episódios, delegando a M. le Président a tarefa de escolher. Num deles, dupla de repentistas canta a glória de Cannes na frente de um cinema poeira, no sertão.

No outro, o próprio Salles apresenta o cinema a seu filho bebê - e mostra para ele a cena do balão no clássico O Grande Ditador, de Charles Chaplin.

Chacun son Cinéma fez tanto sucesso que Emmanuel Benbihy resolveu transformá-lo em franquia, elegendo como tema grandes cidades. Sugiram Paris, Je t"Aime e New York, I Love You.

Em breve, Rio de Janeiro, Eu te Amo. Os diretores até que não mudam tanto. Salles e Daniela fizeram outro belo episódio em Paris, Eu Te Amo, o da imigrante latina que acorda de madrugada, deixa o filho na creche e atravessa a cidade de trem, metrô e ônibus para chegar à casa dos patrões, onde sua função é... cuidar do bebê. Ela termina cantando para o filhos dos outros a cuña - canção de ninar - que é negada ao próprio filho.

Olivier Assayas, Isabel Coixet e os irmãos Joel e Ethan Coen foram alguns dos autores de Paris, Eu Te Amo.

Em New York, Eu Te Amo, entre os diretores estão duas belas e talentosas atrizes estreando por trás das câmeras - Scarlet Johansson e Natalie Portman.

O formato é curto e vale tudo. De preferência, quanto mais pessoal, melhor.

Como curiosidade, vale lembrar que, no passado, o Rio de Janeiro já fora tema de dois filmes em esquetes - Este Rio Que Eu Amo e Crônica da Cidade Maravilhosa. Ambos, dirigido por um só diretor, o argentino Carlos Hugo Christensen.

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