Rogério Soares/Tribuna de Santos
Rogério Soares/Tribuna de Santos

Em enterro de mulher linchada, parentes e amigos fazem passeata pacífica

Fabiane Maria de Jesus foi espancada e morta por pessoas que a confundiram com uma suposta sequestradora de crianças para rituais de magia negra

Zuleide de Barros, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2014 | 20h01

GUARUJÁ - Centenas de parentes e amigos da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, participaram de uma passeata pacífica pelas ruas da comunidade de Morrinhos, durante o enterro da vítima. Fabiane foi espancada e morta por pessoas que a confundiram com uma suposta sequestradora de crianças para rituais de magia negra. O linchamento aconteceu na noite de sábado, no momento em que ela voltava para casa, depois de buscar uma Bíblia que havia esquecido dias antes na Igreja do bairro.

"Confundir uma Bíblia com um livro de magia negra é o fim do mundo: mataram uma pessoa inocente", era o que estava escrito em um dos cartazes, erguido por um vizinho de Fabiana. Em quase todos os cartazes havia um só pedido: Justiça para o crime que chocou a população de toda a Baixada Santista.

Os participantes da passeata seguiram pelas ruas de Morrinhos, parando na Praça Mário Covas, onde fizeram orações e cantaram cantigas religiosas em homenagem a Fabiane.

Uma das pessoas mais emocionadas no ato era a vizinha Maria José Dias, que contou que era amiga de Fabiane havia 25 anos. "Era uma alma boa, incapaz de fazer mal para qualquer pessoa, quanto mais para uma criança."

Maria José acredita que foi a última pessoa a ver Fabiane, antes de sair de casa, no sábado. "Ela estava alegre. Havia tingido o cabelo de loiro e estava satisfeita com o novo visual", contou. Além da perda da amiga, de forma trágica, Maria José lamentava a imagem negativa do bairro, mostrada para todo o País pelas emissoras de televisão.

"O povo precisa saber que Morrinhos não é formado apenas por marginais e gente impiedosa, que teve coragem de tirar a vida de uma mãe de família, que deixou duas filhas, transformadas em órfãs. Morrinhos também tem gente muito boa, trabalhadora, que não concorda com esse tipo de maldade", afirmou.

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