JB Neto/AE
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Em dois anos, triplica nº de motoristas bêbados flagrados dirigindo na estrada

Só de janeiro a junho deste ano, 2. 179 pessoas foram multadas por desrespeito à lei seca - no mesmo período de 2009, haviam sido 714

Renato Machado e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2011 | 00h00

O número de motoristas flagrados dirigindo alcoolizados nas rodovias estaduais paulistas disparou no primeiro semestre deste ano. O Comando de Policiamento Rodoviário (CPRv) aplicou 2. 179 multas por desrespeito à lei seca entre janeiro e junho deste ano, três vezes mais do que o registrado no mesmo período de 2009 - quando foram 714.

 

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Os dados são da Coordenadoria Operacional da Polícia Militar. A diferença na quantidade de multas neste semestre será ainda maior que períodos anteriores, pois o levantamento atual considerou dados até 4 de junho - nos outros anos, as informações compreendem o período de 1.º de janeiro a 30 de junho.

O número de motoristas multados por dirigir embriagado vem aumentando ano a ano desde junho de 2008, quando entrou em vigor a lei seca - que reduziu o índice permitido para álcool no sangue. Atualmente, uma em cada quatro infrações cometidas nas rodovias é por dirigir embriagado. A grande quantidade de autuações, segundo o CPRv, é consequência de um aperto na fiscalização, principalmente a partir do início deste ano.

"Os últimos dados mostraram que as mortes no trânsito ultrapassaram os homicídios dolosos em todo o Estado. Por isso houve uma ordem do comando (da PM) para que a fiscalização fosse reforçada", disse a tenente Fabiana Pane, porta-voz do CPRv. Em relação ao ano passado, o aumento nas multas foi de 60% - apesar de os dados serem fechados com 26 dias a menos.

Mas só o aperto na fiscalização não explica totalmente a maior quantidade de motoristas bêbados flagrados. Para efeitos de comparação, o número de motoristas sujeitos ao teste do bafômetro duplicou entre o primeiro semestre do ano passado e o deste ano em todo o Estado - considerando as ações nas cidades e nas rodovias. No mesmo período, triplicou a quantidade de motoristas multados por dirigir embriagados.

Indefinição. Especialistas em segurança de tráfego afirmam que a indefinição a respeito da legalidade da lei seca pode incentivar o desrespeito à legislação. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda vai decidir em última instância quais provas são aceitas para caracterizar a embriaguez. Decisões anteriores foram contraditórias e também há uma ação que questiona a legalidade de uma pessoa produzir provas contra si mesma.

"Essas pendências jurídicas têm influência sobre o desrespeito, pois a ideia que fica é que a regra ainda não foi totalmente estabelecida. Mas, por outro lado, as blitze têm efeito de incentivar o cumprimento", diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), José Montal.

Megablitz. No último fim de semana, 39.332 pessoas foram abordadas em todo o Estado durante a Operação Direção Segura. Segundo a PM, 20.371 passaram pelo teste do bafômetro, 1.012 se recusaram a passar pela avaliação e 234 foram flagradas com concentração de álcool igual ou acima da permitida. Foram vistoriados mais de 15 mil veículos e 5 mil motos.

PARA LEMBRAR

Lei seca está há 3 anos em vigor

A lei seca entrou em vigor em junho de 2008 e estabeleceu padrões mais rígidos para o consumo de álcool por motoristas.

Todos os que forem flagrados dirigindo bêbados e cujo teste de bafômetro apontar mais de 2 decigramas de álcool por litro de sangue (um chope) será multado em R$ 957, ganhará sete pontos na carteira e perderá o direito de dirigir por um ano. Quando o teste apontar mais de 6 decigramas (duas latas de cerveja), o motorista sofrerá as punições anteriores e ainda será preso em flagrante.

O Estado de São Paulo foi o pioneiro na proibição da venda de bebidas alcoólicas em bares e restaurantes localizados em rodovias sob jurisdição estadual, em 1999.

 

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