Em dia de greve, paulistanos perdem dia de trabalho e estudo

Com parte das estações fechados, os ônibus ficaram lotados e as viagens demoraram além do normal

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2014 | 15h37

SÃO PAULO - O quinto dia de greve dos metroviários foi marcado por um cenário já visto desde quinta-feira, na zona leste, quando teve início a paralisação. Ônibus lotados, passageiros a pé e estações com funcionamento parcial.

Na Linha 3 - Vermelha, o estudante Lucas Andrade, 17, arriscou sair de casa pela primeira vez com a greve. Perdeu as aulas de quinta e sexta-feira. Ele faz cursinho para o vestibular em um colégio do bairro Paraíso, zona sul da cidade. Morador do Jardim das Rosas, zona leste, Andrade acordou às 6h30 para tentar o trajeto, mas às 8h40 ainda estava na estação Bresser-Mooca, a primeira em funcionamento para quem parte da zona leste. 

A aula começou às 7h. Para chegar ao metrô, o jovem pegou um ônibus na Avenida Barreira Grande, próxima à sua casa. "Geralmente eu vou direto da Vila Prudente e desço na (estação) Paraíso. O estudante avaliou ter perdido o dia. "Vou ver se consigo assistir a pelo menos  as duas últimas aulas", disse antes de enfrentar a fila intensa.

Não houve formação de piquetes ou protestos nas estações da Linha Vermelha, que operou entre a Bresser-Mooca e a Santa Cecília durante toda a manhã, mas o movimento foi intenso e as viagens de ônibus que partiram da Radial Leste chegaram a durar 1h30.

A auxiliar administrativa Regina Alonso já perdeu dois dias de trabalho e quase faltou pela terceira vez. Ela saiu mais cedo do bairro Itaquera, às 6h30, e tomou dois ônibus para chegar à Linha Vermelha, percurso que lhe custou mais de uma hora. Ao menos, não será descontada. "Meu chefe não liga para o atraso. Ele, que dá expediente em Perdizes a partir das 8h30, disse que o importante é chegar", contou às 9h, ainda sem embarcar no metrô.

A vendedora Vânia Buchini também foi prejudicada. Ela trabalha em jornada dupla: das 5h às 8h, mantém uma barraca de doces e café em frente à estação Bresser-Mooca. Das 12h às 18h, é enfermeira em um hospital no mesmo bairro. É no intervalo entre um ofício e outro que Vânia descansa, mas ficou "presa" na rua. "Se eu voltar para casa não consigo trabalhar mais. Não tem metrô e os ônibus estão cheios. Eu trabalho em uma UTI, sei que eles precisam de mim", relatou.

Vânia ainda lamentou o prejuízo financeiro nos dias anteriores. Ela conta que quando a estação ficou fechada, deixou de vender seus produtos, que costumam render R$ 80 diariamente.

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