Em dez anos, consumo cai 14% na Grande São Paulo

Apesar das ainda consideráveis perdas de água, o consumo na Região Metropolitana de São Paulo vem caindo nos últimos dez anos. A água consumida por domicílio na região diminuiu 14% entre 2001 e 2011 - foi de 17.080 litros por mês para 14.650 litros. Nos cálculos da Sabesp, isso representa economia suficiente para abastecer uma cidade de 2,9 milhões de habitantes, do porte de Salvador, ou de toda a região do ABC paulista.

Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2011 | 00h00

A projeção feita pela Sabesp leva em conta os hábitos de consumo de hoje e de há dez anos, mas multiplicando-se os dois pela quantidade de domicílios atuais.

"É uma redução importante para a Região Metropolitana, área em que a oferta de água, pelas próprias características geográfica, fica em patamares críticos. Alivia o sistema todo", disse a diretora-presidente da Sabesp, Dilma Pena. "O combate a perdas tem de ser política contínua, sempre com novas tecnologias. É o que estamos fazendo."

Um dos motivos para a queda é que hoje em dia as famílias estão menores, com média de 3,2 ocupantes por residência, segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas a própria Sabesp, ambientalistas e consultores em saneamento dizem que existem outras razões que chegam a ser mais decisivas para a queda. Entre os pontos destacados estão equipamentos mais econômicos (avanço na tecnologia), redução nas perdas na rede, conscientização ambiental, com campanhas contra o desperdício, e educação ambiental.

Outros tempos. "Não precisa nem ser equipamento extremamente moderno. É só lembrar que muitas casas tinham aquelas descargas de cordinhas há dez anos, que despejavam uma quantidade imensa de água", diz Maria Luísa Borges Ribeiro, da SOS Mata Atlântica. Ela também ressalta que houve mudança de comportamento, principalmente em decorrência dos problemas de abastecimento de anos atrás, que levavam à adoção de rodízio de água. E as contas ficaram caras, o que pesou no bolso dos consumidores.

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