Em dez anos, acidentes aéreos crescem 158%

Ocorrências representam um acidente a cada dois dias; no mesmo período, frota nacional aumentou apenas 40%

MÔNICA REOLOM , O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2013 | 02h02

O número de acidentes aéreos no Brasil cresceu 158% em dez anos e passou de 70, em 2003, para 181, em 2012 - recorde histórico. As ocorrências representam um acidente a cada dois dias. No mesmo período, a frota nacional aumentou 40% - de 10.699 aeronaves para 15.019.

Enquanto em 2003 acontecia um acidente a cada 153 aviões, em 2012 foi um a cada 82. Três são as principais causas apontadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) para a estatística, todas relacionadas ao fator humano: o julgamento errôneo do piloto em situações de decisão; a falta de supervisão da manutenção e das normas a serem seguidas; e, por fim, o planejamento do voo ou o descumprimento de regras antes de uma aeronave decolar.

"O fator humano está relacionado a mais de 90% dos acidentes", afirma o brigadeiro Luís Roberto do Carmo Lourenço, chefe do Cenipa. Ele aponta a negligência e o não cumprimento de leis como determinantes nos acidentes da aviação. "O brasileiro percebe que é muito fácil burlar a lei."

"A aviação é uma atividade de risco, mas precisamos promover ações educativas e baixar esses índices, porque eles são inaceitáveis", diz Lourenço. Apesar de seguir a tendência mundial de diminuição de acidentes na aviação comercial, o maior problema do Brasil está na aviação geral, como aviões e helicópteros privados, táxis aéreos e aviões agrícolas.

"O ano de 2013 já está com 103 acidentes nos primeiros sete meses, o que é equivalente ao número do mesmo período do ano passado. A ideia é manter a estatística de 2012 neste ano e, nos próximos, decrescer o índice", explica Lourenço.

Jeitinho. O piloto particular Daniel Negri, de 32 anos, conta que já viu muita "gambiarra" em aviões de outros colegas, como o uso de arame para prender peças do veículo. "No Sudeste, felizmente, não há muito espaço para esse tipo de coisa. Mas no interior do País há muitos problemas com pistas de pouso que não são adequadas e, mesmo assim, são usadas."

Luciano Borges, de 23 anos, trabalha com táxi aéreo em São Paulo e diz que, depois de alguns acidentes graves, a empresa decidiu investir em treinamento e segurança. "Hoje me sinto seguro, mas no Norte do País ainda vejo muitos absurdos." A fadiga dos pilotos é, para ele, o principal fator de risco.

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