Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Em depoimento, amiga de Eloá diz que disparos foram dados antes da polícia entrar no apartamento

Para a acusação, que não concordava com a mudança, troca foi um "tiro no pé" e não vai dar resultado

estadão.com.br,

13 de fevereiro de 2012 | 11h39

Texto atualizado às 19h27.

 

SÃO PAULO - Nayara Rodrigues da Silva, melhor amiga de Eloá e uma das reféns de Lindemberg, terminou de prestar depoimento por volta das 17h desta segunda-feira, 13.

Principal testemunha de acusação, Nayara pediu para que Lindemberg deixasse o auditório para poder depor. A jovem começou respondendo às perguntas da juíza e afirmou que os disparos de Lindemberg foram dados antes que a polícia entrasse no apartamento da vítima.

Segundo depoimento, Nayara foi agredida por Lindemberg, que disse que iria matar as reféns. Ele arrastou uma mesa para bloquear a porta, Nayara se cobriu com um edredon para se proteger, e, então, a testemunha ouviu três disparos. Após o incidente, os policiais chutaram a porta para entrar na casa.

Nayara explicou porque voltou ao local do sequestro dizendo que um policial foi a sua casa , no dia seguinte a sua liberação, pedindo que ela ajudasse nas negociações.

 

A advogada de defesa de Lindemberg Alves, Ana Lúcia Assad, apresentou por quase 1 hora vídeos de reportagens sobre os crimes atribuídos ao acusado de matar a namorada Eloá em 2008, além de uma entrevista concedida pelo réu durante o cárcere.  

 

Durante a apresentação, a advogada fez críticas à atuação da polícia e aos abusos da imprensa. A expectativa é de que a defesa continue utilizando a mesma estratégia nas próximas horas. Lindemberg se mantém calmo, olhando sempre para frente e para baixo. Já a mãe de Nayara, amiga da vítima, assiste ao julgamento sem se manifestar.  

 

A pedido da defesa de Lindemberg Alves, acusado de matar a ex-namorada Eloá em 2008, foram trocadas duas testemunhas no julgamento que está ocorrendo nesta segunda-feira, 13: a jornalista Ana Paula Neves foi substituída por Ederson Douglas Pimentel, irmão mais novo de Eloá. No lugar do Nelson Gonçalves, diretor do Instituto de Criminalística de Santo André à época, vai ser chamada Ana Cristina Pimentel, mãe da menina morta.

Para a acusação, que não concordava com a mudança, aceita pela juíza, a troca foi um "tiro no pé" e não vai dar resultado. Por outro lado, a magistrada negou que novos documentos fossem anexados ao processo pela defesa.

A advogada do acusado de matar a ex-namorada, Ana Lúcia Assad, também pediu que a algema do réu fosse retirada. Depois de consultar a escolta, a juíza concordou.

Disputa de versões. Em torno das 11h30, a acusação exibiu uma reportagem que relatava a invasão policial e confirmava que foram 3 tiros de cabine pequeno - a arma do Lindemberg - e um tiro de bala borracha, disparado pela polícia. A reportagem, veiculada pela Rede Globo, era amparada pelo perito Ricardo Molina.

A defesa também usa programas de TV para construir sua tese: exibiu um vídeo do programa Hoje em Dia, da Record, que afirmava, antes da invasão, que o cárcere estava chegando ao fim e que o réu iria se entregar.

O segundo vídeo exibido pela defesa, também da Record, mostra Lindemberg na cadeia falando sobre o caso e admitindo que atirou em Eloá.

O terceiro vídeo é uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo, que mostra negociações entre o acusado e a polícia durante o cárcere.

O julgamento começou por volta de 9h50. Lindemberg entrou no plenário às 10h20 e será julgado por acusações de assassinato da ex-namorada e de cometer outros 11 crimes.

Calmo, sentou na cadeira do réu vestindo camisa cinza com listas brancas. Ele, de modo aparente, engordou nos 3 anos em que esteve preso - 10 kg, segundo os policiais.

O réu manteve-se calado sobre o que se passou no cárcere em outubro de 2008. Quem portou sua voz foi sua advogada. Ela afirmou que o testemunho dos jornalistas "é muito importante" para o esclarecimento dos fatos, mas não disse se vai pedir a absolvição do acusado de matar Eloá.

A advogada também pediu certa solidariedade dos jurados, para que recebam 'de coração aberto' a versão do rapaz. "Espero que os jurados recebam de coração aberto a versão do menino", afirmou a advogada. "Hoje ele vai ter a chance de se defender." "Ele era réu primário", ressaltou Assad. Por esse motivo, diz ela, foi "uma aberrção jurídica" Lindemberg não ter respondido em liberdade.

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