'Em conforto, eu daria nota de 6 a 8 para o sistema'

Secretário critica falta de corredores de ônibus e diz que só a partir de 2013 rede de trens e metrô terá inaugurações importantes

O Estado de S.Paulo

15 Abril 2012 | 03h01

Pressionado pelo crescimento no fluxo de passageiros de Metrô e Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, critica a falta de construção de corredores por prefeituras da Região Metropolitana, inclusive de São Paulo. Para ele, além do impacto do bilhete único e do crescimento da economia, houve "seccionamento do sistema de linhas de ônibus" e atraso de três anos no projeto da Linha 5 do Metrô. "Quando estiver operando, vai aliviar."

O sr. poderia fazer a previsão para os próximos cinco anos?

Estamos fazendo planejamento, na verdade, para três anos. Porque temos um programa já bem acertado de três anos de construção de 30 km de metrô - já entregamos 9 km na Linha 4. E em torno de 40 km na CPTM. Então vamos atingir, em agosto de 2014, a meta de 9,2 milhões de passageiros por dia, ou seja, 2 milhões a mais em três anos. E por que houve esse represamento? Como crescemos 1,2 milhão em um ano e nos próximos vamos crescer 2 milhões? É porque houve inauguração da Linha 4. Agora só haverá inaugurações importantes a partir de 2013/ 2014. Daqui até lá, temos volume importante de obras.

Que nota que o senhor dá para o serviço? Pelo que temos visto, como na quarta-feira por exemplo, em que houve recorde de congestionamento e 49 pontos de alagamento, o sistema metroferroviário cumpre um papel bastante importante. E, como é importante para a cidade, eu daria de 9 a 10 de nota. No conforto, nota de 6 a 8. Tenho linhas com mais conforto e outras com menos. Na questão da confiabilidade, a gente daria, na comparação com outros sistemas do mundo, nota entre 8 e 9. Em um momento em que se fala em panes, temos indicadores quantitativos que mostram bastante confiança no sistema.

Quais são os tipos de falhas?

No metrô do Brasil e do resto do mundo, há similaridade no tipo de falha, que é a obstrução de portas. É um dos equipamentos nevrálgicos no sistema. Fecham e abrem mais de 4,5 milhões de vezes por dia. São 4,5 mil viagens no Metrô, 2,5 mil na CPTM, mais de 7 mil viagens por dia. Uma composição de Metrô tem 24 portas; na CPTM, 32. Não é só o abrir e fechar. Tem também a compressão da superlotação. As pessoas chegam atrasadas, forçam e, quando há problema de portas, é preciso retirá-las de circulação. A norma no mundo é não se transportar gente com porta aberta em sistemas urbanos. No caso da CPTM, por ser mais aberto, o sistema sofre com intempéries, como descargas elétricas nas subestações e na rede aérea, que é toda descoberta.

Qual a linha mais afetada?

A linha na CPTM que mais nos dá preocupação é a 9. Com a inauguração da Linha 4-Amarela, a Linha 9 da CPTM serviu de canalização para todo mundo que vinha da região sul, de Grajaú, Capão Redondo, para todos que tinham como alternativa descer no Largo 13 e pegar ônibus. Todos migraram e a Linha 9 deu um salto forte. A capacidade de transporte ficou comprometida. Resolvemos fechar aos domingos para acelerar os investimentos.  

No horário de pico, há um forte desconforto dos passageiros. Sim. É desconfortável. O que eu tenho criticado. Houve seccionamento de linhas de ônibus. Você repara na Radial Leste. Quase não tem mais ônibus na rua. Houve seccionamento em Guaianases e Itaquera e descarregou-se tudo no trem. Acho que se perde uma oportunidade de ouro. Quando você tira caminhões de circulação na cidade, seria importante ter preenchido com ônibus.

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