Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Em Cohabs sob análise de índices de metano, ninguém foi informado

Companhia não dá detalhes sobre a contaminação nem o endereço exato dos locais com problema

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2011 | 22h45

SÃO PAULO - Moradores de áreas que podem ter sido incluídas na última terça-feira, 27, na relação de terrenos com contaminação "crítica" pela Cetesb ainda não foram informados sobre os riscos a que estão expostos. Quatro localidades entraram na lista, todas atualmente com uso residencial. Mas a companhia não dá detalhes sobre a contaminação nem o endereço exato do problema.

A Cetesb só havia dado o nome das áreas: as Mansões Santo Antônio, na cidade de Santo Antônio da Posse; terrenos das antigas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, na zona oeste da capital; e duas Cohabs - Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, e Heliópolis, na zona sul.

Cruzando essas informações com a última Relação das Áreas Contaminadas e Reabilitadas, publicada pela Cetesb, referente a 2010, é possível saber da situação das duas Cohabs citadas pela companhia. Na Vila Nova Cachoeirinha, o terreno seria na Favela do Boi Malhado, conjunto de casas populares onde vivem cerca de 20 famílias. O local, a exemplo do Shopping Center Norte, também já foi um lixão.

A ocupação residencial começou no fim do anos 1980. "Não tenho visto agentes da Cetesb aqui não. E ninguém veio falar para a gente ir embora", diz Paulo Francisco Silva, de 54 anos, o Pelé - líder comunitário que mantém, na área contaminada, um campo de futebol usado por 300 crianças. A contaminação ali, segundo a relação de 2010, é por metais, solventes aromáticos, gás metano e outros materiais inorgânicos.

A outra Cohab, a Gleba L de Heliópolis, estaria contaminada por metais. "Há uns dez dias, uns homens estiveram aqui e fizeram medições. Mas não nos disseram nada e foram embora", diz uma moradora. O local fica próximo de um ponto de contaminação histórico: o terreno da Shell na Vila Carioca.

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