Em clima de campanha, Lula libera verba recorde para vítimas do Nordeste

Em meio à lama fétida do centro devastado de Palmares (PE), uma das cidades mais atingidas pelas chuvas que já mataram 51 pessoas em Pernambuco e Alagoas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que a caravana com oito ministros e dois governadores parasse. Calçou galochas e foi para o corpo a corpo. Abraçou moradores que lhe pediam ajuda e, no meio da aglomeração, prometeu: "Vamos dar novo endereço às pessoas e reconstruir o comércio." Foi saudado e aplaudido.

Bruno Paes Manso / PALMARES e Angela Lacerda / RIO LARGO, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2010 | 00h00

Em seguida, ainda em clima de campanha, foi a uma faculdade anunciar o maior aporte de recursos dado a uma região atingida por calamidade neste ano. Foram depositados ontem, "a título de adiantamento", R$ 550 milhões a Pernambuco e Alagoas - R$ 275 milhões para cada -, para serem investidos em alimentação, água, saúde e reconstrução. De janeiro ao dia 16 deste mês, a União liberou R$ 535 milhões para todas as outras tragédias.

O volume anunciado por Lula é mais de três vezes superior aos R$ 143,7 milhões gastos com prevenção de desastres ambientais ao longo de 2009. Supera ainda em sete vezes os R$ 70,6 milhões liberados este ano com ações preventivas e é quase metade da soma - R$ 1,2 bilhão - que a União despendeu no Brasil inteiro com a rubrica "resposta a desastres e reconstrução". "No passado, entre a desgraça e a ajuda, precisava esperar coitado do prefeito da cidade do interior levar um projeto para liberar recursos. O que estamos fazendo? Estabelecendo uma relação de confiança. Depositamos dinheiro para que comecem a trabalhar primeiro. Vamos derrotar a burocracia que atrapalhava a todos", disse Lula.

E emendou com anúncio de mais dinheiro - medida provisória liberando linha de financiamento de R$ 1 bilhão para comércio e indústria, R$ 47 milhões do Ministério da Saúde para reconstrução de hospitais e postos de saúde, R$ 51 milhões do Ministério da Educação para reformar escolas, casas do Programa Minha Casa, Minha Vida para quem perdeu residência.

"Ao socorrer depois da tragédia, sobretudo em ano eleitoral, a autoridade acha que mostra ação e sensibilidade e ninguém se toca para a falha gerencial", critica o diretor da ONG Contas Abertas, Gil Castelo Branco.

Em Alagoas, Lula andou em meio a mais destroços, lama, lixo e mau cheiro. Perguntou sobre a situação das famílias, abraçou crianças, ouviu pedidos e, mais uma vez, prometeu agir.

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