Heloisa Ballarini/Secom/Prefeitura de São Paulo
Heloisa Ballarini/Secom/Prefeitura de São Paulo

Em clima de campanha e festejado por taxistas, Doria lança SPTaxi

Motorista escolhe o desconto que deseja oferecer ao passageiro - e não o aplicativo, como ocorre nos tradicionais Uber, Cabify e 99

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 18h14

SÃO PAULO - A quatro dias de deixar o cargo de prefeito de São Paulo para se candidatar ao governo estadual, João Doria (PSDB) apresentou o SPTaxi, aplicativo que deve beneficiar os 38 mil taxistas da capital e competir com outros apps de mobilidade, como Uber, Cabify, EasyTaxi e 99.

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Por enquanto, o app, que começa a funcionar nesta segunda-feira, 2, pode ser pago com dinheiro ou cartão, de débito ou crédito. A previsão é de implementar o pagamento via aplicativo em dois meses. Lançada em outubro, a ferramenta passou mais de 90 dias em fase de testes.

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Com o aplicativo, o motorista escolhe o desconto que deseja oferecer ao passageiro - e não o aplicativo, como ocorre nos tradicionais, no modelo de tarifa dinâmica. Os descontos poderão variar de 10% a 40% sobre o preço do taxímetro, segundo a disponibilidade e a demanda no local e horário de corrida. 

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No app, os passageiros escolhem o desconto que querem nessa faixa disponível pela ferramenta. Os motoristas que tiverem ativado o desconto vão visualizar o pedido do cliente. Ao pedir uma corrida, os usuários poderão localizar os carros mais próximos, escolher o serviço por faixa de desconto, estimar o valor a ser pago - incluindo preço, desconto e bandeirada - e ainda avaliar o taxista no fim da viagem. 

Os táxis continuam podendo fazer uso dos corredores de ônibus e faixas exclusivas. Por enquanto, o SPTaxi funciona somente para quem pedir corrida na capital paulista, e não em municípios da região metropolitana. 

Nas próximas semanas, uma taxa passará a ser cobrada dos taxistas pelo uso do aplicativo. De acordo com o secretário municipal dos Transportes, Sergio Avelleda, o valor não deve superar os 4% no valor da corrida.

"Mas isso ainda está definido, inclusive se será um porcentual sobre as corridas. Estamos dimensionando os custos de operação para depois termos a recuperação deste recurso com o uso do aplicativo", afirma Avelleda.

O SPTaxi funciona somente para passageiros e motoristas com sistema Android 5.0, no mínimo. Segundo o presidente da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação da Prefeitura (Iplan-Rio), Fábio Pimentel de Carvalho, nos próximos 60 dias também começará a funcionar para celulares iOS. 

Fruto de uma transferência de tecnologia do Rio de Janeiro, o aplicativo inicia a operação com mais de 8 mil taxistas cadastrados. A cidade de São Paulo possui 38 mil motoristas. Até o fim de maio, a expectativa da gestão Doria é ter 30 mil no sistema. 

O app Taxi.Rio, lançado em novembro, tem 16,5 mil profissionais cadastrados e 120 mil usuários. Hoje, possui média de 9,5 mil corridas diárias. O Rio já negocia a transferência da tecnologia para outras 13 cidades do País, além de São Paulo, entre elas Campinas, Ribeirão Preto, Recife, Salvador e Brasília. 

Para aderir ao programa, é preciso ter alvará e CONDUTAX. Os motoristas podem se cadastrar no aplicativo e tirar dúvidas pelo site https://sptaxi.prefeitura.sp.gov.br. Reclamações podem ser feitas pelo telefone 156, da Prefeitura.

Em campanha

O lançamento do app ocorreu em clima de campanha. Após apresentar a ferramenta no auditório da Prefeitura, onde ouvia gritos de "João Trabalhador, nosso governador", Doria desceu ao Vale do Anhangabaú para discursar aos cerca de 1 mil motoristas de táxi que o aguardavam com bandeirinhas do Brasil. 

No local, havia ainda balões do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi no Estado de São Paulo (Simtetaxis) com os dizeres "Obrigado, prefeito Doria!". Sem paletó, o prefeito subiu em um banco no meio do grupo de taxistas e discursou com microfone e caixa de som, comemorando com a categoria o lançamento do aplicativo SPTaxi. 

"Hoje é um dia especial na vida da maior cidade do País. Trouxemos modernidade e tecnologia para os taxistas da nossa cidade. Quero agradecer a todos os dirigentes, sem exceção, que acreditaram que essa iniciativa seria possível", disse Doria.

Ao lado do prefeito, estava o vereador Adilson Amadeu  (PTB), autor do projeto de lei que proibiu o transporte individual privado por aplicativos. O projeto virou lei, mas foi julgado inconstitucional pela Justiça. 

"Queria dirigir a vocês o meu carinho, a minha palavra de gratidão a todos. Em todas as partes onde me dirijo, só recebo dos motoristas de táxi o carinho, o olhar, o sorriso, o gesto de positivo, o gesto de acelera, o bom sentimento. Vocês fazem parte da vida da nossa cidade", afirmou Doria. 

O tucano encerrou o discurso pedindo que os taxistas sacudissem as bandeiras do Brasil. "Tenham orgulho de ser taxistas, paulistas e brasileiros. Ergam a bandeira do Brasil." O prefeito destacou ainda os balões "com as cores da nossa cidade e do nosso Estado". Ao se despedir, afirmou: "Deus está iluminando vocês". 

Enquanto os participantes do ato gritavam "futuro governador" e "João trabalhador", balões nas cores da bandeira de São Paulo foram soltos. No final, questionado se o evento virou ato de campanha, Doria negou e seguiu escoltado por seguranças de volta para a Prefeitura. 

Minutos antes do ato no Vale do Anhangabaú, taxistas que participavam do evento no auditório já erguiam papéis com os dizeres "João trabalhador nosso governador". Ao encerrar o evento, Doria anunciou que faria "um convite" aos profissionais que estavam sentados. 

"Vamos aqui gravar um brevíssimo vídeo para as nossas redes sociais. Queria convidar vocês a permanecerem aqui. Vou gravar junto com o Sergio Avelleda e com o time que está aqui. As pessoas que estão aqui vão usar esta imagem que está aqui atrás. Será muito breve e depois a imagem vai voltar para vocês. Vocês se manifestam como desejarem. Vou só sugerir que se puderem levantar os celulares com a imagem do aplicativo eu acho que dá esse sentimento de tecnologia e modernidade. Peço que permanecem mais dois minutinhos. O vídeo não leva mais tempo do que isso. Quando virar a câmera, vocês podem levantar exatamente como estão fazendo os seus celulares. Vamos lá?", orientou. 

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