Em CDP, gasto anual por preso é de R$ 12

O centro de Detenção Provisória em Diadema tem 1.156 presos e 576 vagas. Assim como nas demais unidades, por falta de camas, os presos precisam dormir em redes. Além da falta de espaço, eles precisam da ajuda da família para cumprir a pena porque o Estado não fornece produtos básicos como papel higiênico, xampu, sabonete, lençóis, camisetas, pasta e escova de dente.

BRUNO PAES MANSO, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2012 | 02h01

Em 2011, o gasto médio da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) por preso em Diadema, por exemplo, foi de R$ 12,4 ao longo do ano - o que mal dá para comprar uma pasta de dente e um desodorante.

Nas 28 unidades prisionais da Região Metropolitana, contando CDPs e centros de progressão, em dezembro do ano passado, havia 43,6 mil presos, entre homens e mulheres. A SAP gastou apenas R$ 1,9 milhão em produtos de higiene, o que dá uma média de apenas R$ 45,2 por detento para o ano todo. Os CDPs 2, 3 e 4 de Pinheiros tiveram gasto médio de R$ 17,7 por preso naquele ano. "Além do preso, a família dele também é punida", afirma o defensor público Patrick Cacicedo.

Nos chamados "jumbos", os familiares gastam de R$ 100 a R$ 300 mensais para manter os parentes nas prisões. A Defensoria obteve os dados de gastos com a SAP e forneceu para o Estado calcular a média gasta com preso. No dia 22, será feita audiência pública para discutir o tema.

O advogado José de Jesus Filho, da Pastoral Carcerária, diz que o resultado da falta de investimento é a dependência extrema que os detentos sem família acabam tendo das facções. O advogado conta a história de um preso morador de rua que, por meses, recebeu cesta básica do PCC. "Quando houve uma revista, teve de esconder os celulares da facção." A SAP diz que oferece normalmente o KIT higiene. E ressaltou que o "jumbo" levado pelos familiares é opcional.

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