Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Em cartaz, as histórias do centro paulistano

Cineastas amadores fazem curtas tendo essa região da cidade como pano de fundo

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

31 Março 2011 | 00h00

Centro de São Paulo. Boas histórias. Aspirantes a cineasta com câmeras na mão e ideias na cabeça. Uma oficina de cinema. Pronto: esses ingredientes deram origem a sete curtas que serão exibidos a partir das 19h de hoje no encerramento da 10.ª edição da Mostra do Filme Livre, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

"O diferencial dessa oficina foi que privilegiou as pessoas que não tinham experiência anterior na área audiovisual", explica o coordenador do trabalho no Centro Cultural Banco do Brasil, Christian Saghaard. "No início, dedicamo-nos a ensinar à turma (de 12 alunos) conceitos básicos de linguagem de cinema. Depois, fomos a campo e realizamos as obras."

Com o centro como pano de fundo, os cineastas de primeira viagem produziram documentário, monólogo, filme-cabeça e infantil, em um passeio divertido pela metrópole e seus personagens, entre o lúdico e o real. "Minha paixão sempre foi cinema, então vi na oficina uma oportunidade", conta a estudante de Publicidade Carol Barão, de 21 anos, autora de Come, Homi, Come, sobre uma prostituta que bate ponto na frente da Catedral da Sé. "O centro de São Paulo é um ambiente bem insano, que tem tudo a ver com personagens fortes como a do meu filme."

Já o aposentado Luiz Carlos Tanaka, de 63 anos, veio de Brasília para participar da oficina. "Eu ganhei uma câmera de vídeo e não sabia operá-la. Então me inscrevi para o curso", diz ele, que filmou Mãos À Obra de Arte.

Personagens. Autora do lúdico O Mapa do Menino Colorido, a publicitária Thaísa Valadão Pacheco, de 26 anos, tinha certa experiência prévia.

"Morei em Londres e lá fiz dois curtas", relata. "Mas a vivência de filmar no centro de São Paulo foi incrível. As pessoas passam e querem saber o que está acontecendo."

O advogado Leonardo Branco, de 27 anos, confessa que ficou surpreso com a heterogeneidade dos alunos. "Cada pessoa tinha uma história completamente diferente", diz. "Também me surpreendi com o quanto é possível aprender e produzir em tão pouco tempo e com tão escassos recursos."

Em seu documentário Vai Graxa, Doutor? - codirigido por Thaísa Valadão -, os protagonistas são os engraxates do centro da capital. "Sempre me incomodei com o ofício deles. A posição de uma pessoa que se abaixa diante da outra para limpar o seu calçado é, por si, perturbadora", explica.

"Quisemos variar os suportes de filmagem durante as gravações, que ao todo levaram apenas dois dias, em um ritmo acelerado e alucinante", conta ele. "O processo todo, entre aulas teóricas, práticas, pesquisa, gravação e edição, levou pouco mais de três semanas."

Experiência. Para o advogado, filmar no centro de São Paulo também foi uma rica experiência. "O centro é borbulhante, transborda tipos, personagens e ofícios tão diferentes entre si que talvez não haja espaço para certas formas de estranhamento", define.

"E é inquietante. Lá convivem a pujança das construções que remetem ao tempo da memória, ao passado, e a miséria dos sem futuro, dos párias, dos marginalizados, do crack, da cola de sapateiro, a presença constante dos mendigos e pedintes andando ao lado de engravatados suando dentro de seus paletós", prossegue Branco. "Essa dualidade é incrível!"

 

SERVIÇO

10ª Mostra do Filme Livre - 2011

Exibição dos curtas: a partir das 19h de hoje

Capacidade: 70 lugares. Entrada grátis, mediante retirada de senha com uma hora de antecedência

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112, perto das estações Sé e São Bento do metrô)

Mais informações: (11) 3113-3651 e 3113-3652 ou http://www.bb.com.br e http://www.twitter.com/ccbb_sp

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