Em Campinas, secretário não vê solução

A região de Campinas, que engloba 42 cidades do interior paulista, tem um déficit de 700 leitos hospitalares, principalmente de atendimento de urgência e emergência, além de filas em hospitais e problemas de falta de médicos.

Ricardo Brandt / Campinas, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2013 | 02h02

Para o secretário de Saúde de Campinas, Carmino de Souza, as medidas anunciadas pelo governo federal não resolvem o problema regional. "A crise da saúde está muito focada no médico. E a gente sabe que não é só isso. Se pegou o médico como se fosse o inimigo número um dos problemas do sistema público de saúde", diz Souza, médico hematologista há 37 anos e professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O secretário defende que a falta de recursos para custeio é o grande gargalo do sistema público. "Se não tiver dinheiro para custeio, para comprar remédio, para a folha de pagamento, para os insumos, não se aumentará a rede", afirma.

Referência em atendimento médico na região, Campinas serve como rede de saúde para 1 milhão de habitantes locais e para todas as 41 cidades abrangidas pelo Departamento Regional de Saúde 7. "Não acho que as medidas anunciadas trarão impacto para a região de Campinas", avalia o secretário. "Os municípios estão sobrecarregados. É fundamental que o governo coloque mais recursos de custeio. A questão precisa ser enfrentada. Todo mundo gosta de construir, mas onde a roda pega é no custeio do sistema."

Foco. Para o secretário, que gerencia 2 mil médicos, há um erro de foco na identificação do problema da dificuldade de contratar profissionais em determinadas áreas. Para ele, esse não é um problema relacionado às periferias das cidades.

"É preciso formar mais médicos e seduzi-los para o sistema público de saúde. E, para isso, é preciso melhores condições de trabalho, melhores salários e um plano de carreira, inclusive com dedicação exclusiva ao trabalho", defende Souza.

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